Mosteiro de Santa Maria de Vila Boa do Bispo

Description level
Fonds Fonds
Reference code
PT/TT/MSMVBB
Title type
Atribuído
Date range
1141 Date is certain to 1768 Date is certain
Dimension and support
33 liv., 1 mç.; perg., papel
Biography or history
O Mosteiro de Santa Maria de Vila Boa do Bispo era masculino, situava-se no termo do extinto concelho de Bemviver, pertencia à bispado do Porto, aos Cónegos Regulares de Santo Agostinho até ser unido à Congregação de Santa Cruz de Coimbra.

A sua fundação é atribuída ao bispo D. Sisnando, irmão de D. Mónio Viegas, entre 990 e 1022. A referência documental mais antiga remonta a 1079.

Em 1131, a 12 de Fevereiro, recebeu carta de couto de D. Afonso Henriques.

Em 1141, já pertencia aos Cónegos Regulares de Santo Agostinho.

A presença dos Mosteiros São Pedro de Cete e do Salvador de Paço de Sousa, da Ordem de São Bento, nas suas imediações conteve, provavelmente, o desenvolvimento de Santa Maria de Vila Boa do Bispo.

Em 1320, no Catálogo das igrejas, comendas e mosteiros do Reino, o Mosteiro vem taxado em 1500 libras, valor elevado relativamente a outros mosteiros da região.

Em 1466, pela bula "Iniunctum nobis" de Paulo II, dada a 4 de Março, foi anexada ao Mosteiro a igreja de São Romão de Paredes.

Em 1475, entrou em regime de comenda.

Em 1488, era administrador do Mosteiro, o bispo do Porto, D. João de Azevedo.

Em 1514, era administrador D. Manuel da Silva.

Em 1526, 1533, 1540, 1541, 1556, 1557, 1562, 1568 era administrador D. Manuel de Azevedo, comendatário do Mosteiro de São João Baptista de Pendurada.

Eram da apresentação do Mosteiro as seguintes igrejas: de Santa Maria de Vila Boa do Bispo, de São Martinho da Várzea e de São Lourenço do Douro (Riba Douro) ambas de padroado misto com o Mosteiro de São João de Pendurada, de Santiago de Paçô, de São Miguel de Barros, de São Gens de Boelhe, de São Romão de Paredes. A capela de Barros também lhe estava anexa.

Junto ao Mosteiro existia uma ermida da invocação de Santo António, fundada pelo cónego Gonçalo Martins, antes de 1561.

Em 1582, os Mosteiros de São Pedro de Folques, de São Martinho de Caramos, de São Simão da Junqueira, de Santo Estêvão de Vilela, de Santa Maria de Vila Nova de Muía, do Salvador de Paderne, de Santa Maria de Vila Boa do Bispo, de Santa Maria de Oliveira e de São Miguel de Vilarinho, pertencentes ao padroado real, foram abrangidos pelo "Contrato dos mosteiros novos", assinado entre o rei e o prior geral da Congregação de Santa Cruz, pelo qual o rei os largava à Congregação recebendo, em contrapartida, uma pensão régia, paga a partir das rendas das respectivas mesas priorais.

Em 1594, pela bula "Pro apostolicae servitutis" do papa Clemente VIII, de 19 de Maio, no 3.º ano do seu pontificado, passada a instância do rei D. Felipe, foram unidos à Congregação de Santa Cruz de Coimbra, sendo-lhes confirmados todos os privilégios, graças e indulgências que lhes tinham sido dados e concedendo-lhes os outorgados ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, quer pelos papas, seus antecessores, quer os de que gozava de outras religiões (ordens) por comunicação e autoridade apostólica. O arcebispo de Braga foi nomeado juiz executor e conservador apostólico da bula de união.

Em 1611, a 19 de Janeiro, foi abrangido pela mercê concedida aos mosteiros da Congregação de Santa Cruz de Coimbra, de poderem escolher um dos tabeliães de notas das respectivas localidades, para fazerem as escrituras dos bens e rendimentos, em livros de notas próprios.

Em 1623, a 7 de Junho, D. Filipe III confirmou ao Mosteiro o direito de nomear juiz e porteiro no couto.

Em 1641, a 10 de Janeiro, as resoluções tomadas e mercês concedidas ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra e aos mosteiros da Congregação, foram confirmados pelo rei D. João IV.

Em 1770, foi extinto com outros da mesma congregação para serem anexados ao Mosteiro de Mafra.
Custodial history
Após a união e posse do Mosteiro de Santa Maria de Vila Boa do Bispo pelo prior geral da Congregação de Santa Cruz de Coimbra, alguns documentos de Vila Boa do Bispo foram mandados para o cartório de Santa Cruz de Coimbra, sendo integrados no mç. 11 do Armário 60 dos mosteiros da Congregação.

Em 1770, o cartório do extinto mosteiro de Vila Boa do Bispo, foi enviado para o Mosteiro de Mafra, aí permanecendo até à sua extinção, enquanto residência de Cónegos Regulares de Santo Agostinho.

Em 1794, a administração perpétua dos bens e rendimentos do extinto Mosteiro de Santa Maria de Vila Boa do Bispo foi cometida aos priores de São Vicente de Fora e os seus documentos foram depositados no edifício deste Mosteiro.

No séc. XIX, os documentos do extinto mosteiro, depositados em São Vicente de Fora, receberam um número de ordem, escrito a tinta carmesim, assinados na sua maioria por Carvalho. Este era o sétimo e último cartório na ordem de arrumação.

Os autos de inventário do cartório de São Vicente de Fora, feito após o sequestro dos bens do Mosteiro, descrevem o conteúdo dos oito caixões, onde foi acomodada a documentação saída do edifício de São Vicente, mostrando que os livros e documentos dos mosteiros saíram misturados.

Após 1834, foram depositados no edifício do convento de São Francisco da Cidade e aí permaneceram até 1836. Neste ano, a 10 de Maio, deram entrada no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em execução da Portaria de 1 de Março, constituindo a primeira incorporação de cartórios monásticos.

Parte da documentação esteve integrada na designada Colecção Especial. Entre os anos de 1938 e 1990, sempre que possível e considerando a sua proveniência, a documentação foi reintegrada nos fundos, numa tentativa de reconstituição dos cartórios de origem. Estes documentos foram ordenados cronologicamente, constituídos maços com cerca de 40 documentos, aos quais foi dada uma numeração sequencial.

No final da década de 1990, foi abandonada a arrumação geográfica por nome das localidades onde se situavam os conventos ou mosteiros, para adoptar a agregação dos fundos por ordens religiosas.
Scope and content
Contém livros de prazos, traslados de livros de notas, livros de sentenças, tombos de demarcação (incluindo autos de reconhecimento de casais e respectivos títulos de demarcação, medição e renda, traslados de privilégios reais e pontifícios, documentos sobre os padroados das igrejas e respectivas provisões, e autos judiciais relativos ao tombo), cartas de doação, de escambo, de composição e outros documentos relativos às igrejas de Santa Maria de Oliveira, de São Martinho da Várzea, de Santiago de Paçô (apresentação e confirmação do abade e acórdão do juiz da coroa relativo ao período de união do extinto mosteiro de Vila Boa do Bispo ao Mosteiro de Mafra), de São Miguel de Barros, de São Lourenço de Ribadouro, e à capela de Barros, anexa ao Mosteiro de Vila Boa do Bispo.

A documentação menciona bens situados em Penafiel, Vila do Conde, Amarante, Maia, Paredes, Paços de Ferreira e Baião.

A documentação refere o Mosteiro de São João Baptista de Pendurada e o Convento de São Gonçalo de Amarante.

Guia de Fundos Eclesiásticos; Cónegos Regulares de Santo Agostinho F
Arrangement
Ordenação cronológica das séries.
Language of the material
Latim e português. Letra visigótica de transição para a carolina, carolino-gótica, gótica.
Other finding aid
ARQUIVO NACIONAL DA TORRE DO TOMBO - [Base de dados de descrição arquivística]. [Em linha]. Lisboa: ANTT, 2000- . Disponível no Sítio Web e na Sala de Referência da Torre do Tombo. Em actualização permanente.

Catálogo dos documentos das cx. 27, 28 e 29 do Mosteiro de São Vicente de Fora, 2.ª incorporação (C 386).

Catálogo dos documentos da cx. 30 do Mosteiro de São Vicente de Fora, e descrição sumária de 80 votos de profissão de frades do mosteiro da cx. 31, 2.ª incorporação. ID C 387.

Colecção Especial: catálogo das bulas das caixas 7 a 10. ID C 25 3.

Índice (inventário) dos livros de diversos conventos, ordens militares e outras corporações religiosas guardadas no Arquivo da Torre do Tombo, conventos diversos, caderneta 5 (Trindade de Lisboa a Xabregas). ID C 272, f. 171-175.

Inventário das Corporações Religiosas, desintegrado da antiga Colecção Especial (inclui a tabela de equivalência e a "Nota explicativa" da restituição dos documentos aos cartórios de origem, feita pela conservadora Maria Teresa Geraldes Barbosa Acabado), em 24 de Julho de 1978. ID L 208, f. 7.

Suplemento da Colecção Especial: relações sumárias das bulas, cx. 1-15, breves, cx. 16-22, de sentenças apostólicas, cx. 23-24, sentenças executoriais, cx. 25-26, "Miscelânea eclesiástica", cx. 27, diplomas emanados do poder real, cx. 28-72, de príncipes, infantes, duques de Bragança, rainhas, cardeais, arcebispos, bispos, de patriarcas (...), e relações de unidades de instalação respeitantes a instituições eclesiásticas regulares e seculares. ID L 207, f. 14.
Related material
Portugal, Arquivo Distrital de Braga.

Portugal, Torre do Tombo, Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra.

Portugal, Torre do Tombo, Mosteiro de São Vicente de Fora.
Publication notes
MONTEIRO, Emília - "Vila Boa do Bispo: tradição e mudança". Marco de Canaveses: Câmara Municipal, 1990. ISBN: 972-95492-0-6.
"Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico". Dir. Bernardo de Vasconcelos e Sousa. Lisboa: Livros Horizonte, 2005. ISBN 972-24-1433-X. p. 197.
SANTOS, Maria José de Azevedo - "Da Visigótica à Carolina: a escrita em Portugal de 882 a 1172: aspectos técnicos e culturais".Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian: Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica, 1994. p. 130, 179, 187. ISBN 972-31-0633-7.
Creation date
21/02/2011 00:00:00
Last modification
22/05/2013 13:55:48