Colecção São Lourenço

Description level
Collection Collection
Reference code
PT/TT/CSL
Title type
Atribuído
Date range
1403 Date is certain to 1561 Date is certain
Dimension and support
6 vol. (códices factícios); papel
Custodial history
A história da formação desta colecção não é suficientemente conhecida. D. António de Ataíde, 1º conde de Castanheira, teria coligido os documentos que integram o primeiro volume, uma vez que grande parte da correspondência lhe é dirigida. A restante documentação é maioritariamente correspondência remetida a D. Álvaro de Castro (filho de D. João de Castro), ou por ele redigida. D. Ana de Ataíde, mulher de D. Álvaro de Castro, era neta de D. António de Ataíde, sendo plausível que por este facto, esta documentação tivesse sido reunida. No Dicionário Bibliográfico Português, de Inocêncio Francisco da Silva , refere-se igualmente que o compilador foi D. António de Ataíde.

O percurso da documentação até pertencer à casa dos Condes de São Lourenço é explicado, também no Dicionário Bibliográfico Português, pelo facto de o conde da Castanheira ter sido casado com uma senhora da casa da Feira, cujos vínculos foram em parte herdados pelos condes de São Lourenço. Esta colecção terá pertencido a um conjunto documental bem mais vasto, coleccionado por D. João José Ansberto de Noronha (n.1725; 6º Conde de São Lourenço por casamento e filho dos segundos marqueses de Angeja). Foi inventariada com os bens de António José de Mello Silva César e Menezes (1794-1863, 9º conde de São Lourenço), trabalho realizado por José Maria António Nogueira, que o publicou em 1871.
Acquisition information
Através do ofício do Ministério do Reino de 10 de Agosto de 1874 foi pedido à Torre do Tombo que examinasse os manuscritos da Casa de São Lourenço, se pronunciasse sobre a sua relevância e sobre o valor pedido pelos herdeiros do último conde. A documentação foi enviada à Torre do Tombo para se proceder à sua avaliação, conforme ofício do mesmo ministério de 12 de Junho de 1875, tendo o Arquivo dado resposta a 31 de Agosto de 1875. Finalmente, o Ministério do Reino, por ofício de 5 de Novembro de 1875 informou o Guarda Mor da Torre do Tombo que o Governo tinha comprado os manuscritos da casa de São Lourenço, por 3 contos e seiscentos mil reis, que deviam ser arquivados na Torre do Tombo, junto enviando o trabalho de inventariação, coordenado e redigido por José Maria António Nogueira. A documentação só entrou na Torre do Tombo em 26 de Novembro de 1881, juntamente com outros documentos remetidos do Ministério do Reino.
Scope and content
São maioritariamente documentos originais, tratando-se de correspondência trocada entre diversas personalidades sobre questões diplomáticas, de administração ultramarina, e algumas cartas particulares, compreendendo basicamente o segundo quartel do século XVI, o que corresponde ao período do reinado de D. João III (1521-1557).

No primeiro volume está coligida a correspondência dirigida a D. António de Ataíde (?-07.10.1563), 1º conde da Castanheira, e remetida nomeadamente por: Marquês de Vila Real, António de Campos, Jorge de Lima, Fernão Álvares (tesoureiro-mor do Reino), Manuel Cirne (feitor de Andaluzia), Pedro Álvares Carvalho (capitão de Alcácer Ceguer), Bispo do Algarve, Martim Afonso de Sousa (capitão mor do mar da Índia e depois vice-rei), D. João III, Gonçalo Lopes da Arca (feitor de Ceilão), Conde de Vimioso, D. Aleixo de Meneses, Pêro de Alcáçova Carneiro (secretário de Estado), João de Barros (feitor da Casa da Guiné e Índia). Ainda como interlocutores ou autores de documentos aparecem a infanta duquesa de Sabóia, Pero de Sousa, D. Martinho de Portugal (bispo, e posteriormente arcebispo primaz do Funchal), o Duque de Nemours, o Bispo do Algarve, o Bispo de Viseu, D. Pedro de Mascarenhas, António Carneiro (secretário de Estado), o Conde de Vimioso, a imperatriz D. Isabel (que escreve a seu irmão D. João III), Álvaro Mendes de Vasconcelos, D. Estêvão de Almeida, Baltasar de Faria, o Cardeal Farnesi, Lourenço Pires de Távora, a abadessa do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde, Diogo Rodrigues Pinto, o Bispo de Lamego D. Fernando de Vasconcelos, Frei Diogo da Silva, João Rodrigues de Sá e Meneses, Tomé de Sousa, António Pinheiro, e o Marquês de Vila Real, entre outros.

Estas missivas versam assuntos públicos e privados tão diversos como: questões relativas às praças de África, sua defesa militar, em especial o socorro a Safim, as indeminizações dadas ao moradores e fronteiros saídos de Azamor e Safim, cartas de recomendação, problemas relacionados com os negócios da Índia, notícias sobre os turcos, uma relação das pessoas que foram para a Índia. As questões diplomáticas e os negócios estrangeiros são alvo de grande parte da correspondência deste primeiro volume, já que D. António de Ataíde teve a seu cargo missões diplomáticas, nomeadamente em França, para resolução do problema do corso, havendo alguns documentos relativos à negociação com aquele reino e o acordo final entre França e Portugal sobre a navegação. São ainda de referir um parecer da faculdade de Paris sobre a validade do casamento de Henrique VIII de Inglaterra com Catarina de Aragão, o contrato relativo às rendas da ilha da Madeira, os testamentos de D. Vasco Fernandes de Ataíde e de D. Ana de Távora (condessa de Castanheira e mulher de D. António de Ataíde),uma carta de D. Violante de Távora, uns apontamentos sobre os cavaleiros da Ordem de Cristo, o Regimento para o governo do Reino durante a menoridade de D. Afonso V, feito nas Cortes de Torres Novas em 1438, a lista de moradores da Casa Real, com data provável de 1403, e ainda as memórias de D. Frei Francisco Ximenes, arcebispo de Toledo e Cardeal de Espanha.

Os volumes segundo, terceiro, quarto e quinto desta colecção são de conteúdo mais homogéneo entre si, tendo em conta que constituem o conjunto de documentação provavelmente reunido por D. Álvaro de Castro e que testemunham a sua permanência no Oriente, onde foi capitão mor do mar da Índia, e a de seu pai, D. João de Castro, (vice-rei da Índia). Grande parte da correspondência informa sobre o Estado da Índia, relata os conflitos de interesses, tanto públicos como privados, que vão desde as constantes ameaças das potências locais, até às desavenças entre oficiais, ilustrando os grandes acontecimentos e as pequenas ocorrências de que é composta a história do quotidiano.

Podem citar-se entre os correspondentes Aleixo de Sousa, D. Álvaro de Noronha, D. Álvaro de Portugal, o mestre André de Resende, André de Sousa, António Afonso, o licenciado António Cardoso, António Coelho de Sousa, António Correia (feitor de Cochim), António da Cunha, António Fernandes, António Ferreira (guarda mor de Ceilão), António Gil (feitor de Diu), António Moniz Barreto, Frei António Padrão, António Ribeiro de Vasconcelos (feitor de Chaul), António Rodrigues (feitor de Diu), António de Saldanha, António de Sousa (capitão de Chaul), Aires de Figueiredo, Bernardo da Fonseca (capitão de Coulão), o bispo de Angra, o bispo de Goa, o bispo do Porto, as Câmaras de Cananor, Chaul, Cochim, e Goa, a condessa da Vidigueira, Diogo de Almeida (capitão mor de Goa), Diogo Lopes de Aguião, D. Fernando de Castro, Francisco Álvares (ouvidor de Ceilão), D. Francisco de Meneses, Francisco da Silva de Meneses (capitão mor de Cochim), Francisco Toscano (chanceler mor do Estado da Índia), Gabriel de Ataíde, D. Garcia de Castro, Henrique de Sousa Chichorro (capitão de Cochim), D. Isabel de Gamboa, D. Isabel Pereira (mulher de Rui Gonçalves de Caminha), João de Barros, D. Jerónimo de Meneses (capitão mor de Baçaim), o próprio D. João de Castro, D. João de Mascarenhas, frei João de Vila do Conde (guardião do convento de Ceilão), D. Jorge de Meneses, Lourenço Pires de Távora, Luís Falcão (capitão de Ormuz), Manuel Lobato (ouvidor de Cochim), Manuel de Mergulhão (vedor da Fazenda em Goa), Manuel de Vasconcelos (capitão da fortaleza de Cananor), Nuno Álvares Pereira, Frei Paulo de Santarém, mestre Pedro Fernandes, Pedro Leitão, Rafael Lobo, Rui Gonçalves de Caminha (vedor da Fazenda em Goa), Rui Lourenço de Távora, Salvador de Leão (ouvidor de Cochim), Sebastião Coelho (tanadar de Baçaim), Sebastião Lopes Lobato, Simão Botelho, Tristão de Paiva (embaixador em Bisnaga), Vasco da Cunha e D. Violante de Távora. O próprio D. Álvaro de Castro escreveu alguns documentos entre os quais se integram alguns regimentos dados, nomeadamente, a André de Aguiar, D. António de Noronha e D. João de Ataíde para irem a Ormuz e Adém, um diário náutico, e algumas cartas sobre a defesa ou a tomada de cidades tanto em África como na Índia.

Há igualmente cartas escritas por soberanos autóctones ou outros indivíduos, como é o caso de Coje Çameçadim Gylhone, Gorypo (guazil de Cananor), Rais Ruck Nordim (guazil de Ormuz) do 'Adil Khan, os reis ou soberanos de Cananor, de Ceilão, de Cochim, de Cranganor, de Madune, de Ormuz, e de Repelim.

Todos estes documentos falam sobre os negócios de Ceilão, Cochim, Goa, Baçaim, Chaul, Zamorim e Calecute, Moçambique, Sofala, etc, exploram as questões militares como as vistorias a fortalezas, o estado e a descrição da armada ou a tomada de localidades, a guerra de Cambaia e o segundo cerco de Diu ou ainda as informações sobre estratégia militar; focam sistematicamente os problemas relacionados com o comércio desde a arrecadação da pimenta à pesca do coral; lamentam a morte de D. Fernando de Castro (filho de D. João de Castro); abordam matérias de carácter religioso como a evangelização, a organização de casas religiosas ou a catequese dos povos de Candy e Ceilão. São também objecto de largas considerações as questões da administração do Estado da Índia, desde os negócios da Fazenda como a cobrança de direitos reais, ou de justiça. São ainda de mencionar os pedidos de clemência e liberdade de presos, individuais ou colectivos, como acontece com o pedido de 36 cristãos franceses que se encontravam presos pelo sultão Bahadur, as notícias sobre acontecimentos em Portugal, o relato da expedição a Suez contra a armada turca comandada por D. Estevão da Gama (vice-rei da Índia), ou a relação dos feridos na explosão do baluarte São João da fortaleza de Diu durante o segundo cerco a esta cidade.

O sexto volume é um livro manuscrito de autoria atribuída a Diogo do Couto acerca do governo da Índia, sendo governador D. Estevão da Gama ( m. 1575), que ocupou o cargo de 1540 a 1542. É um livro composto de 30 capítulos, faltando os 3 primeiros.
Arrangement
Documentação organizada segundo critérios funcionais e cronológicos.
Access restrictions
Documentação sujeita a autorização para a consulta e a horário restrito.
Language of the material
Português, latim, espanhol e francês.
Other finding aid
Guias e Roteiros:

PORTUGAL. Instituto dos Arquivos Nacionais / Torre do Tombo. Direcção de Serviços de Arquivística - "Colecção São Lourenço". in Guia Geral dos Fundos da Torre do Tombo: Colecções, Arquivos de Pessoas Singulares, de Famílias, de Empresas, de Associações, de Comissões e de Congressos. Coord. Maria do Carmo Jasmins Dias Farinha [et al.]; elab. Joana Braga; fot. José António Silva. Lisboa: IAN/TT, 2005. vol. VI. (Instrumentos de Descrição Documental). ISBN 972-8107-69-2. p. 226-232. Acessível na Torre do Tombo, ID (L602/6).

ARQUIVO NACIONAL DA TORRE DO TOMBO - [Base de dados de descrição arquivística]. [Em linha]. Lisboa: ANTT, 2000- . Disponível no Sítio Web e na Sala de Referência da Torre do Tombo. Em actualização permanente.

PORTUGAL. Instituto dos Arquivos Nacionais / Torre do Tombo - Casa Forte - Relação sumária dos volumes. [Dactilografado]. Acessível na Torre do Tombo, Lisboa, Portugal. (C 266/1, p. 95).

PORTUGAL. Instituto dos Arquivos Nacionais / Torre do Tombo - Relação dos documentos enviados pelo Ministério do Reino à Torre do Tombo em 26 de Novembro de 1881. [Manuscrita]. 1881. Acessível na Torre do Tombo, Lisboa, Portugal. (C. 2, Relação 3).

NOGUEIRA, José Maria António - Notícia dos manuscriptos da livraria da excelentíssima casa de São Lourenço. Lisboa: Tipografia Belenense, 1871. III, 76 p. [existente na TT: S.V. 2771/3]. Acessível na Torre do Tombo, Lisboa, Portugal. (L 650) - índice abrangendo a totalidade da documentação, ordenado alfabeticamente pela autoria dos documentos.
Related material
Portugal, Torre do Tombo, Cartas a D. João de Castro

Portugal, Torre do Tombo, Governo do Estado da Índia

Portugal, Torre do Tombo, Colecção de Cartas

Portugal, Torre do Tombo, Colecção São Vicente

Portugal, Torre do Tombo, Miscelâneas Manuscritas, vol 4.
Publication notes
BAIÃO, António - Cartas inéditas de D. Jerónimo Osório acerca da transferência da Catedral Algarvia no século XVI. In "Anais da Academia Portuguesa da História". Lisboa. V. 3, 2ª série, (1951), p. 153-240.
BAIÃO, António - História quinhentista inédita do segundo cerco de Diu: ilustrada com a correspondência original também inédita, de D. João de Castro, D. João de Mascarenhas e outros. Coimbra: Imprensa Universitária, 1925. [Publicação onde estão transcritas algumas cartas do 4º e do 5º volume da colecção São Lourenço].
SANCEAU, Elaine, pref. - Colecção de São Lourenço. Lisboa: Centro de Estudos Históricos Ultramarinos da Junta de Investigação do Ultramar, 1973-1983. 3 v. [Transcrição dos documentos dos volumes 1 a 3, organizados tematicamente]; [Disponível na TT: S.V. 8251; 9148/1-3].
SILVA, Inocêncio Francisco da - Dicionário bibliográfico português. [CD-ROM]. Lisboa: CNCDP, 1998 (Ophir Biblioteca Virtual dos Descobrimentos Portugueses, 1). V. 10, p. 213 [entrada: D. João de Castro]
SANTOS, Isaú - Macau e o Oriente nos Arquivos Nacionais Torre do Tombo. [s.l.]: Instituto Cultural de Macau, 1995. p. 29-30. ISBN 972-35-0202-6
Notes
Nota ao campo datas: Predominantemente 1525-1561.

Durante a elaboração das descrições destinadas ao Guia Geral de Fundos da Torre do Tombo, respeitantes às Colecções, foi possível verificar que a designada "Colecção S. Lourenço" apresenta características de fundo familiar.
Creation date
09/01/2007 00:00:00
Last modification
16/06/2017 11:49:54
Record not reviewed.