Convento de Santa Clara de Trancoso

Description level
Fonds Fonds
Reference code
PT/TT/CSCT
Title type
Atribuído
Date range
1523 Date is certain to 1832 Date is certain
Dimension and support
1 liv., 1 mç.; perg., papel
Biography or history
O Convento de Santa Clara de Trancoso era feminino, pertencia à Ordem dos Frades Menores, e à Província de Portugal da Observância.

Também era designado por Convento de Nossa Senhora do Sepulcro.

Em 1537, foi autorizada a sua fundação por bula.

Foi edificado sobre a igreja do mesmo orago, por iniciativa do doutor Cristóvão Mendes de Carvalho, fidalgo da casa de D. João III e seu desembargador do paço, e da mulher, dona Beatriz Correia, que para esse fim alcançaram licença do núncio apostólico em Lisboa.

A bula de fundação do convento definia que as freiras professassem na Terceira Ordem, e a abadessa fosse nomeada pelos fundadores, que o poderiam dotar de todos os bens, sendo seus padroeiros.

Entretanto, o fundador enviou o padre frei António de Buarcos para assistir às obras. Este escolheu outro local para a construção do convento, que ficou sujeito ao provincial dos claustrais, obedecendo à Regra de Santa Clara.

Em 1540, instalou a primeira comunidade claustral, com várias freiras provenientes do Convento de Santa Clara do Porto, entre elas, a abadessa dona Guiomar de Mesquita.

Recebeu inúmeras doações, quer do fundador, quer do rei D. João III que, por alvará de 21 de Janeiro de 1545, autorizou o mosteiro a possuir bens de raiz, bem como de Pantaleão Ferreira, pai das primeiras noviças da comunidade.

Em 1568, passou à observância.

Em 1618, o edifício foi ampliado.

Em 1642, passou a ter o orago de Santa Clara.

Em 1834, no âmbito da "Reforma geral eclesiástica" empreendida pelo Ministro e Secretário de Estado, Joaquim António de Aguiar, executada pela Comissão da Reforma Geral do Clero (1833-1837), pelo Decreto de 30 de Maio, foram extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e casas de religiosos de todas as ordens religiosas, ficando as de religiosas, sujeitas aos respectivos bispos, até à morte da última freira, data do encerramento definitivo.

Os bens foram incorporados nos Próprios da Fazenda Nacional.

Em 1864, foi extinto por Decreto.

Em 1894, faleceu a última religiosa.
Custodial history
Em 1912, o livro, que se encontrava na Biblioteca Nacional, foi enviada pela Inspecção Geral das Bibliotecas e Arquivos Públicos à Torre do Tombo.

Não é ainda conhecida a história custodial e arquivística do maço de pergaminhos (bulas) e do documento (em papel).

A documentação foi sujeita a tratamento arquivístico, no final da década de 1990, empreendido por técnicos da Torre do Tombo e por investigadores externos. Foi abandonada a arrumação geográfica por nome das localidades onde se situavam os conventos ou mosteiros, para adoptar a agregação dos fundos por ordens religiosas. Desta intervenção resultou o facto de cada ordem religiosa passar a ser considerada como grupo de fundos, e simultaneamente como fundo, constituído a partir da documentação proveniente da casa-mãe ou provincial, alteração esta que provocou a alteração de cotas nos fundos intervencionados.

Foram constituídas séries documentais segundo o princípio da ordem original sempre que possível (com base em índices de cartórios quando existentes), correspondendo à tipologia formal dos actos, e que, na generalidade, é documentação que se apresenta em livro. A documentação que se encontra instalada em maços foi considerada como uma colecção ao nível da série, com a designação de 'Documentos vários', não tendo sido objecto de intervenção.

Este projecto deu origem à publicação da monografia designada 'Ordens monástico-conventuais: inventário', com a coordenação de José Mattoso e Maria do Carmo Jasmins Dias Farinha.
Scope and content
Contém bulas (algumas concedem rendas à Igreja do Sepulcro de Trancoso, a bula do papa Clemente VII tem pendente o selo de chumbo pontifício); um inventário de papéis entregues que pertencem ao fisco (lista de sequestros com o nome de vários indivíduos, que foi entregue na vila de Trancoso, assinada por Simão Gonçalves Pacheco, datada de 1639, 2 fl., papel); registo de patentes incluindo informações sobre o falecimento de religiosas, entre outros.

Fundos Eclesiásticos; Ordem dos Frades Menores - Província de Portugal; Feminino
Arrangement
Organização em séries documentais correspondendo à tipologia formal dos actos.
Other finding aid
ARQUIVO NACIONAL DA TORRE DO TOMBO - [Base de dados de descrição arquivística]. [Em linha]. Lisboa: ANTT, 2000- . Disponível no Sítio Web e na Sala de Referência da Torre do Tombo. Em actualização permanente.

INSTITUTO DOS ARQUIVOS NACIONAIS/TORRE DO TOMBO - "Ordens monástico-conventuais: inventário: Ordem de São Bento, Ordem do Carmo, Ordem dos Carmelitas Descalços, Ordem dos Frades Menores, Ordem da Conceição de Maria." Coord. José Mattoso, Maria do Carmo Jasmins Dias Farinha. Lisboa: IAN/TT, 2002. XIX, 438 p. ISBN 972-8107-63-3. (L 615) p. 281-282.

Inventário dos cartórios recolhidos da Biblioteca Nacional, em 1912 (L 283) f. 174.
Related material
Portugal, Torre do Tombo, Secretaria de Estado dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça mç. 282.

Portugal, Torre do Tombo, Secretaria de Estado dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça mç 233, n.º 1.

Portugal, Torre do Tombo, Ministério das Finanças, cx. 1938.
Publication notes
"Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento - guia histórico". Bernardo de Vasconcelos e Sousa (dir.), Isabel Castro Pina, Maria Filomena Andrade, Maria Leonor Ferraz de Oliveira Silva Santos. Lisboa: Livros Horizonte, 2005. p. 303. ISBN 972-24-1433-X.
Creation date
4/5/2011 12:00:00 AM
Last modification
1/7/2020 9:44:34 AM