Convento de São Francisco de Vale de Pereiras

Description level
Fonds Fonds
Reference code
PT/TT/CSFVP
Title type
Atribuído
Date range
1500 Date is certain to 1847 Date is certain
Dimension and support
1 liv., 23 mç.; perg., papel
Biography or history
O Convento de São Francisco de Vale de Pereiras era feminino, pertencia à Ordem dos Frades Menores, e à Província de Portugal da Observância.

Por volta de 1360, foi fundado, nos arredores de Ponte de Lima.

Começou por ser um convento masculino de franciscanos claustrais. Durante este período, obteve vários privilégios dos monarcas, nomeadamente o de receber a ordinária dada por D. Afonso V.

D. Manuel concedeu-lhe o privilégio para o síndico, e mais dois homens para pedirem esmolas para a comunidade.

Em 1368, sendo guardião frei Domingos, pela bula "Exultemus in Domino", do papa Martinho IV, receberam poder para os prelados nomearem e removerem o síndico do convento, quando tal fosse necessário.

Em 1515, deixou de ser um convento masculino passando para a comunidade de clarissas da segunda ordem.

D. Guiomar Ferreira, filha de Martim Ferreira e de D. Leonor Pereira, que vivia em Santa Clara de Vila do Conde, pediu ao papa para fazer um convento em Ponte de Lima, uma vez que aí existiam dois conventos masculinos, um observante, e outro claustral.

Dado que o de Vale de Pereiras estava mais longe da povoação e tinha menos frades, foi o escolhido com a condição do guardião do convento acatar a proposta.

Em 1515, a bula papal, datada de 16 de Janeiro, autorizou este pedido, e pouco depois, a 27 de Março, a comunidade feminina que para aí se deslocou tomou posse da casa, ficando o convento com um confessor dos claustrais, frei Afonso do Espírito Santo.

D. Guiomar Ferreira passou a ser a abadessa perpétua e a sua irmã Inês Ferreira serviu durante largos anos como vigária.

Até meados do século XVI, a família dos Ferreira manteve o abadessado, altura em que D. João III lhes enviou outra prelada D. Constança de Melo, do Convento da Madre de Deus de Monchique de Miragaia, como reformadora, acompanhada da vigária D. Antónia da Silva.

Em 1568, foi reformado na observância.

Em 1834, no âmbito da "Reforma geral eclesiástica" empreendida pelo Ministro e Secretário de Estado, Joaquim António de Aguiar, executada pela Comissão da Reforma Geral do Clero (1833-1837), pelo Decreto de 30 de Maio, foram extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e casas de religiosos de todas as ordens religiosas, ficando as de religiosas, sujeitas aos respectivos bispos, até à morte da última freira, data do encerramento definitivo.

Os bens foram incorporados nos Próprios da Fazenda Nacional.

Existindo referências documentais até 1847, desconhece-se a data exacta da sua extinção.
Custodial history
A toda a documentação dos cartórios de mosteiros ou conventos custodiados pela Repartição da Fazenda de Viana do Castelo foi atribuída uma numeração sequencial. Desta fase de custódia resultou a designação genérica de "Conventos de Viana" por que passaram a ser conhecidos.

Em 1890, a 5 de Maio, em virtude do art.º 6.º do Decreto de 29 de Dezembro de 1887 e do ofício da Direcção-Geral dos Próprios Nacionais, de 31 de Outubro de 1889, os documentos foram transferidos pela Inspecção Geral das Bibliotecas e Arquivos Públicos, para a Torre do Tombo.

Em 1912, a documentação, que se encontrava na Biblioteca Nacional, foi enviada pela Inspecção Geral das Bibliotecas e Arquivos Públicos à Torre do Tombo.

Não é ainda conhecida a história custodial e arquivística do maço 23.

Em 1990, sob orientação da Dr.ª Maria José Mexia Bigote Chorão, alguns documentos deste fundo foram nele integrados, depois de ter sido identificada a sua proveniência, e retirados da colecção Documentação de conventos por identificar, cx. 11, conforme apontamento existente na caixa.

A documentação foi sujeita a tratamento arquivístico, no final da década de 1990, empreendido por técnicos da Torre do Tombo e por investigadores externos. Foi abandonada a arrumação geográfica por nome das localidades onde se situavam os conventos ou mosteiros, para adoptar a agregação dos fundos por ordens religiosas. Desta intervenção resultou o facto de cada ordem religiosa passar a ser considerada como grupo de fundos, e simultaneamente como fundo, constituído a partir da documentação proveniente da casa-mãe ou provincial, alteração esta que provocou a alteração de cotas nos fundos intervencionados.

Foram constituídas séries documentais segundo o princípio da ordem original sempre que possível (com base em índices de cartórios quando existentes), correspondendo à tipologia formal dos actos, e que, na generalidade, é documentação que se apresenta em livro. A documentação que se encontra instalada em maços foi considerada como uma colecção ao nível da série, com a designação de 'Documentos vários', não tendo sido objecto de intervenção.

Este projecto deu origem à publicação da monografia designada 'Ordens monástico-conventuais: inventário', com a coordenação de José Mattoso e Maria do Carmo Jasmins Dias Farinha.
Scope and content
Contém tombos de propriedades, registo de receita e despesa, sentenças, devassas, prazos, arrendamentos, escrituras de compra e venda, requerimentos, certidões, entre outros.

Fundos Eclesiásticos; Ordem dos Frades Menores - Província de Portugal; Feminino
Arrangement
Organização em séries documentais correspondendo à tipologia formal dos actos.
Other finding aid
ARQUIVO NACIONAL DA TORRE DO TOMBO - [Base de dados de descrição arquivística]. [Em linha]. Lisboa: ANTT, 2000- . Disponível no Sítio Web e na Sala de Referência da Torre do Tombo. Em actualização permanente.

INSTITUTO DOS ARQUIVOS NACIONAIS/TORRE DO TOMBO - "Ordens monástico-conventuais: inventário: Ordem de São Bento, Ordem do Carmo, Ordem dos Carmelitas Descalços, Ordem dos Frades Menores, Ordem da Conceição de Maria." Coord. José Mattoso, Maria do Carmo Jasmins Dias Farinha. Lisboa: IAN/TT, 2002. XIX, 438 p. ISBN 972-8107-63-3. (L 615) p. 269-271.

Inventário dos cartórios recolhidos da Biblioteca Nacional, em 1912 (L 283) f. 176.

Relação dos livros e documentos vindos da Repartição de Fazenda de Viana do Castelo, de 20 de Dezembro de 1889, recebidos na Torre do Tombo, em 5 de Maio de 1890 (L 282).

"Tabelas de correspondência entre os números de ordem antigos referentes ao índice L 282 - "Conventos de Viana" e a nova ordem atribuída", Outubro 1990 (L 552).
Related material
Portugal, Arquivo Distrital de Braga.

Portugal, Torre do Tombo, Secretaria de Estado dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça mç 243 n.º 2

Portugal, Torre do Tombo, Ministério das Finanças, cx. 7642.
Publication notes
"Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico". Dir. Bernardo de Vasconcelos e Sousa. Lisboa: Livros Horizonte, 2005. ISBN 972-24-1433-X. p. 299-300
Creation date
4/5/2011 12:00:00 AM
Last modification
1/7/2020 9:44:37 AM