Mosteiro de Santa Maria do Carvoeiro

Description level
Fonds Fonds
Reference code
PT/TT/MSMCV
Title type
Atribuído
Date range
1502 Date is certain to 1834 Date is certain
Dimension and support
83 liv., 1 mç.; perg, papel
Biography or history
O Mosteiro de Santa Maria do Carvoeiro era masculino, e pertencia à Ordem e à Congregação de São Bento.

Foi fundado, provavelmente, no finais do século XI , antes da redacção do Censual do bispo D. Pedro e segundo os costumes monásticos peninsulares.

Entre 1080 e 1115, terá adoptado a Regra de São Bento.

Em 1129, obteve carta de couto outorgada por D. Afonso Henriques.

No "Catálogo de todas as igrejas, comendas e mosteiros que havia nos reinos de Portugal e Algarves, pelos anos de 1320 e 1321", o mosteiro era taxado em 600 libras, a quantia mais elevada de todos os mosteiros e igrejas da terra de Aguiar do Neiva.

Em meados do século XV, a comunidade estava já muito reduzida, não havendo por vezes número suficiente de monges para se poder proceder legitimamente à eleição do abade.

Desde 1500, governado por abades comendatários, foi entregue à reforma pelo seu segundo comendatário, Frei António de Sá (também abade do Mosteiro de São Martinho de Tibães).

Mas só em 1588, os monges da Congregação de São Bento o habitaram, ainda que por posse condicional.

As negociações com o último comendatário, Pedro da Grã, só terminaram com a sua morte em 1602, data a partir da qual se puderam eleger abades trienais.

Em 1834, no âmbito da "Reforma geral eclesiástica" empreendida pelo Ministro e Secretário de Estado, Joaquim António de Aguiar, executada pela Comissão da Reforma Geral do Clero (1833-1837), pelo Decreto de 30 de Maio, foram extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e casas de religiosos de todas as ordens religiosas, ficando as de religiosas, sujeitas aos respectivos bispos, até à morte da última freira, data do encerramento definitivo.

Os bens foram incorporados nos Próprios da Fazenda Nacional.
Custodial history
A toda a documentação dos cartórios de mosteiros ou conventos custodiados pela Repartição da Fazenda de Viana do Castelo foi atribuída uma numeração sequencial. Desta fase de custódia resultou a designação genérica de "Conventos de Viana" por que passaram a ser conhecidos.

Mais tarde, foram transferidos para a Inspecção Geral das Bibliotecas e Arquivos Públicos, em virtude do art.º 6.º do Decreto de 29 de Dezembro de 1887 e do ofício da Direcção-Geral dos Próprios Nacionais, de 31 de Outubro de 1889, sendo incorporados no Arquivo da Torre do Tombo, em 5 de Maio de 1890.

A documentação foi sujeita a tratamento arquivístico, no final da década de 1990, empreendido por técnicos da Torre do Tombo e por investigadores externos. Foi abandonada a arrumação geográfica por nome das localidades onde se situavam os conventos ou mosteiros, para adoptar a agregação dos fundos por ordens religiosas. Desta intervenção resultou o facto de cada ordem religiosa passar a ser considerada como grupo de fundos, e simultaneamente como fundo, constituído a partir da documentação proveniente da casa-mãe ou provincial, alteração esta que provocou a alteração de cotas nos fundos intervencionados.

Foram constituídas séries documentais segundo o princípio da ordem original sempre que possível (com base em índices de cartórios quando existentes), correspondendo à tipologia formal dos actos, e que, na generalidade, é documentação que se apresenta em livro. A documentação que se encontra instalada em maços foi considerada como uma colecção ao nível da série, com a designação de 'Documentos vários', não tendo sido objecto de intervenção. No decorrer deste trabalho foi retirado o mç. 1.

Este projecto deu origem à publicação da monografia designada 'Ordens monástico-conventuais: inventário', com a coordenação de José Mattoso e Maria do Carmo Jasmins Dias Farinha.

Em 2013, o mç. 1 foi reintegrado neste fundo.
Scope and content
Contém tombos de propriedades, registos de vedorias, prazos, arrendamentos e sentenças.

Guia de Fundos Eclesiásticos; Ordem de São Bento; Masculino
Arrangement
Organização em séries documentais correspondendo à tipologia formal dos actos.
Other finding aid
ARQUIVO NACIONAL DA TORRE DO TOMBO - [Base de dados de descrição arquivística]. [Em linha]. Lisboa: ANTT, 2000- . Disponível no Sítio Web e na Sala de Referência da Torre do Tombo. Em actualização permanente.

MATTOSO, Fr. José - "Documentos beneditinos da Torre do Tombo". Lisboa: [s.n.], 1970. Sep. de "Lusitania Sacra", 8. Exemplar disponível no Serviço de Referência da Torre do Tombo (L 285 A, p. 232-233).

Convento de Viana do Castelo. (L 282, f. 17a 19v.)

Relação de todas as casas religiosas extintas ou suprimidas no Continente que foram compreendidas nos mapas das alfaias preciosas que subiram ao conhecimento da Câmara dos Deputados, em 6 de Fevereiro de 1840. Conventos diversos, cad. 2, Lisboa-Xabregas (C 281, f. 88). Estão organizados por entradas de topónimos, apresentam o nome da casa ou a sua invocação, o número de inventário de extinção. Podem ainda indicar o documento e a data da extinção, bem como o estado do edifício nesta data, ou, mais raramente, em que convento se fez a incorporação dos bens do convento extinto.

INSTITUTO DOS ARQUIVOS NACIONAIS/TORRE DO TOMBO - "Ordens monástico-conventuais: inventário: Ordem de São Bento, Ordem do Carmo, Ordem dos Carmelitas Descalços, Ordem dos Frades Menores, Ordem da Conceição de Maria." Coord. José Mattoso, Maria do Carmo Jasmins Dias Farinha. Lisboa: IAN/TT, 2002. XIX, 438 p. ISBN 972-8107-63-3. (L 615, p. 29-34).
Related material
Portugal, Arquivo Distrital de Braga, "Confirmações", f. 92 v.º, 108, 164, 164 v.º, 246; "Matrículas de ordens", mç. 1, s. n.

Portugal, Torre do Tombo, Ministério das Finanças, cx. 2203, inv. n.º 84.
Publication notes
MARQUES, José - "A Arquidiocese de Braga no séc. XV". [Lisboa], Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1988. p.677-678. Contém o estudo do Mosteiro de Santa Maria de Carvoeiro (antecedentes, regra monástica, abades e sua nomeação e análise dos documentos a esta pertencentes) a partir de fontes do Arquivo Distrital de Braga.
"Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico". Dir. Bernardo de Vasconcelos e Sousa. Lisboa: Livros Horizonte, 2005. ISBN 972-24-1433-X. p. 65-66
Creation date
07/04/2011 00:00:00
Last modification
02/02/2017 09:37:43