Convento das Chagas de Lamego

Description level
Fonds Fonds
Reference code
PT/TT/CCL
Title type
Atribuído
Date range
1553 Date is certain to 1906 Date is certain
Dimension and support
102 liv.; 56 mç.; papel
Biography or history
O Convento das Chagas de Lamego era feminino, pertencia à Ordem dos Frades Menores, e estava sob Jurisdição diocesana.

Inclui-se no conjunto dos conventos que viveram segundo a regra de Santa Clara, tradicionalmente, designadas por "Claristas" ou "Clarissas".

Em 1588, foi fundado o convento.

Este convento de freiras urbanistas, seguidoras da Regra aprovada por Urbano IV, foi mandado edificar pelo bispo da diocese, D. António Teles de Meneses, em honra das cinco chagas de Jesus Cristo. O bispo tinha sete irmãs religiosas clarissas no Convento de Monchique, no Porto.

Para igreja do convento escolheu a capela de São Sebastião, no Largo do Tablado.

Em 1589, a 6 de Maio, por breve de Sisto V, D. António ficou habilitado a proceder à mudança das irmãs, do Porto para Lamego e a constituir a primeira comunidade sob a regra de Santa Clara, com a cláusula de a mesma ficar sujeita ao ordinário do lugar e de uma das irmãs do fundador desempenhar o cargo de abadessa.

Em 1590, a 11 de Novembro, teve lugar a tomada de posse da comunidade, realizada com toda a solenidade.

O padre André Lourenço redigiu os estatutos, assinados e selados por D. António, a 18 de Março de 1591.

A primeira abadessa foi D. Joana da Conceição, irmã do fundador.

Por bula pontifícia e portaria régia o convento incorporou o extinto convento beneditino de Nossa Senhora da Purificação de Moimenta da Beira, e o de Barrô.

Esteve sob jurisdição do bispo de Lamego. Com a morte deste, o sucessor D. Martim Afonso de Melo, recusou-se a entregar o legado destinado ao suporte de quatro lugares gratuitos, consignados nos estatutos a favor das filhas de Luís da Silva de Meneses, sobrinho do fundador.

Em 1602, a 22 de Agosto, D. Luís da Silva conseguiu sentença a seu favor. Os herdeiros de D. António Teles tentaram subtrair o convento à jurisdição do ordinário do lugar. A querela arrastou-se até 10 de Setembro de 1611, quando foi conseguido o acordo entre as partes, estando a estrutura do convento abalada.

Em 1630, em Julho, após a morte da última irmã de D. António, Dona Catarina da Cruz foi eleita abadessa.

Em 1651, a insubordinação das religiosas manifestou-se, de novo, na questão da escolha do capelão.

Também o comportamento, costumes, opulência e modo de vestir e de agir foram sendo objecto de reparos, ao longo dos anos.

A partir de 1687, as noviças admitidas de novo deviam ser convenientemente doutrinadas, no sentido de praticarem a caridade, a humildade e a obediência. Pretendia-se, assim, acabar com a magnificência e a rebelião das religiosas.

Em 1793, uniu-se-lhe o Convento de Barrô e D. João VI viria a conceder-lhe várias regalias. Deste convento resta apenas o templo das Chagas.

Em 1812, o bispo de Lamego, mandou encerrar o Mosteiro de Nossa Senhora da Purificação de Moimenta da Beira, da Ordem de São Bento, e os seus rendimentos foram anexados ao Convento das Chagas de Lamego, da Ordem dos Frades Menores, para onde passaram as freiras ainda existentes.

Em 1834, no âmbito da "Reforma geral eclesiástica" empreendida pelo Ministro e Secretário de Estado, Joaquim António de Aguiar, executada pela Comissão da Reforma Geral do Clero (1833-1837), pelo Decreto de 30 de Maio, foram extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e casas de religiosos de todas as ordens religiosas, ficando as de religiosas, sujeitas aos respectivos bispos, até à morte da última freira, data do encerramento definitivo.

Os bens foram incorporados nos Próprios da Fazenda Nacional.

Em 1906, foi encerrado por falecimento da última religiosa, e convertido em Seminário Diocesano.
Custodial history
Em 1909, a 5 de Junho, a documentação foi transferida do cartório do Convento das Chagas de Lamego para o Arquivo da Torre do Tombo.

Os talões dos anos de 1871-1872 ficaram no Paço Episcopal.

A documentação foi sujeita a tratamento arquivístico, no final da década de 1990, empreendido por técnicos da Torre do Tombo e por investigadores externos. Foi abandonada a arrumação geográfica por nome das localidades onde se situavam os conventos ou mosteiros, para adoptar a agregação dos fundos por ordens religiosas. Desta intervenção resultou o facto de cada ordem religiosa passar a ser considerada como grupo de fundos, e simultaneamente como fundo, constituído a partir da documentação proveniente da casa-mãe ou provincial, alteração esta que provocou a alteração de cotas nos fundos intervencionados.

Foram constituídas séries documentais segundo o princípio da ordem original sempre que possível (com base em índices de cartórios quando existentes), correspondendo à tipologia formal dos actos, e que, na generalidade, é documentação que se apresenta em livro. A documentação que se encontra instalada em maços foi considerada como uma colecção ao nível da série, com a designação de 'Documentos vários', não tendo sido objecto de intervenção.

Este projecto deu origem à publicação da monografia designada 'Ordens monástico-conventuais: inventário', com a coordenação de José Mattoso e Maria do Carmo Jasmins Dias Farinha.
Scope and content
Contém portarias, registo de actas de perdão de dívidas do mosteiro, de correspondência expedida, de certidões de missas, sentenças cíveis e apostólicas, e sentenças respeitantes ao Mosteiro de Nossa Senhora da Purificação de Moimenta da Beira, registo de padrões de juro, de cobrança de juros e rendas, de pagamentos de foros, rendas, pensões, miunças que os caseiros faziam ao convento, recibos de ordenados dos oficiais do convento, registo de despesa dos procuradores (inclui custos de execução dos procuradores, e um caderno solto de causas do convento pertencente ao cartório do escrivão Lima, datado do século XIX), registo de receita e despesa (inclui livros 18 e 19 produzidos por um administrador eclesiástico, os livros 25, 26 e 32 produzidos por um administrador laico, e os livros 20-24 designado por "Livros Caixa"), borrão de contas correntes com os devedores, Livro Diário, Livro Caixa Geral, Livro Razão, folhas de pagamento (maços de talões de recibos de juros que se pagavam ao convento, os maços 14 -37 de ordens de pagamento e folhas de vencimento).

Inclui os subfundos das confrarias das Almas, de São João Evangelista, de Nossa Senhora do Desterro, do Santíssimo Sacramento, e do Menino Deus.

Fundos Eclesiásticos; Ordem dos Frades Menores; Feminino
Arrangement
Organização em séries documentais correspondendo à tipologia formal dos actos.
Other finding aid
ARQUIVO NACIONAL DA TORRE DO TOMBO - [Base de dados de descrição arquivística]. [Em linha]. Lisboa: ANTT, 2000- . Disponível no Sítio Web e na Sala de Referência da Torre do Tombo. Em actualização permanente.

INSTITUTO DOS ARQUIVOS NACIONAIS/TORRE DO TOMBO - "Ordens monástico-conventuais: inventário: Ordem de São Bento, Ordem do Carmo, Ordem dos Carmelitas Descalços, Ordem dos Frades Menores, Ordem da Conceição de Maria." Coord. José Mattoso, Maria do Carmo Jasmins Dias Farinha. Lisboa: IAN/TT, 2002. XIX, 438 p. ISBN 972-8107-63-3. (L 615) p. 396-408.

Inventário do cartório do Convento das Chagas de Lamego entregue no Arquivo da Torre do Tombo, em 5 de Junho de 1909 (C 323).
Related material
Portugal, Arquivo Distrital de Viseu, Convento das Chagas de Lamego.

Portugal, Torre do Tombo, Ministério das Finanças, cx. 2058, 2059 e 2060.

Portugal, Torre do Tombo, Secretaria de Estado dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça, mç. 422, n.º 3.
Creation date
4/5/2011 12:00:00 AM
Last modification
1/7/2020 9:44:18 AM