Convento de Nossa Senhora da Conceição de Beja

Description level
Fonds Fonds
Reference code
PT/TT/CNSCBJ
Title type
Atribuído
Date range
1425 Date is certain to 1886 Date is certain
Dimension and support
62 liv., 23 mç.; perg., papel
Biography or history
O Convento de Nossa Senhora da Conceição de Beja era feminino, e pertencia à Ordem dos Frades Menores, e à Província dos Algarves.

Em 1459, foi fundado e concedida licença para a sua instituição por dois breves de Pio II

Foi erigido junto ao Palácio dos Infantes, no centro da cidade, a partir de um recolhimento de terceiras seculares (mantelatas), ou segundo frei Manuel de São Caetano Damásio, de um grupo de emparedadas.

O convento começou a ser construído por iniciativa do duque de Beja, o infante D. Fernando (irmão de D. Afonso V) e de sua mulher D. Beatriz, primeiros duques de Beja e pais de D. Manuel.

Em 1461, recebeu o oratório de Santa Vitória.

Em 1463, já as terceiras tinham feito profissão na Ordem de Santa Clara.

Parece, contudo, que as obras foram bastante demoradas, sendo a parte conventual particularmente morosa.

Em 1469, o convento encontrava-se praticamente concluído, recebeu a invocação de Nossa Senhora da Conceição de Maria Santíssima, e a regra urbanista, como se mostra na bula de 21 de Dezembro desse ano, concedida pelo papa Paulo II.

A data de entrada das monjas no cenóbio aconteceu em 1473, mas doze anos depois registou-se a presença do arquitecto João de Arruda como supervisor dos trabalhos e só nos inícios do século XVI é que se terminou o dormitório das monjas.

A infanta D. Beatriz iniciaria, simultaneamente, o processo para tentar vincular a comunidade à direcção dos observantes.

Mas, em 1473, os observantes franciscanos recusaram essa proposta.

Só em 1482, aceitaram o encargo, recebendo da duquesa de Beja, o compromisso de edificar um oratório para os frades, que incluiria a igreja e outras dependências.

Em 1483 ou 1484, recebeu a Igreja de Belas, na diocese de Lisboa.

Apenas em 1489, como resultado de uma intervenção pontifícia, começaram os observantes a habitar o oratório de Santo António de Beja, dando orientação e assistência espiritual às clarissas. Foi assim a primeira comunidade a passar à observância, mas não chegou a adoptar a Primeira Regra de Santa Clara, como tinha sido propósito dos fundadores.

Em 1505, por intervenção da duquesa de Beja levou a que, apesar da direcção observante, o convento se tenha tornado em panteão da família ducal.

Em 1533, passaram à obediência da Província dos Algarves.

Na segunda metade do século XVII, professou no convento a soror Mariana Alcoforado, autora das "Cartas portuguesas".

Em 1834, no âmbito da "Reforma geral eclesiástica" empreendida pelo Ministro e Secretário de Estado, Joaquim António de Aguiar, executada pela Comissão da Reforma Geral do Clero (1833-1837), pelo Decreto de 30 de Maio, foram extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e casas de religiosos de todas as ordens religiosas, ficando as de religiosas, sujeitas aos respectivos bispos, até à morte da última freira, data do encerramento definitivo.

Os bens foram incorporados nos Próprios da Fazenda Nacional.

Em 1892, foi extinto por falecimento da última religiosa.

Com o fim das ordens religiosas o convento entrou em decadência e esteve à beira da ruína.

Em 1895, foi demolido o Paço dos Infantes, que se encontrava anexo ao convento, e parte da área conventual. Nessa ocasião foi possível reconstruir parcialmente o convento.
Custodial history
Em 1892, em virtude do ofício de 6 de Julho desse ano, foram remetidos os livros nº 55 a 62 e a documentação avulsa pela Inspecção Geral das Bibliotecas e Arquivos Públicos, para a Torre do Tombo.

Em 1912, os restantes livros, que se encontravam na Biblioteca Nacional, foram enviados pela Inspecção Geral das Bibliotecas e Arquivos Públicos à Torre do Tombo.

Em 1939, a 10 de Agosto, parte da documentação, que se encontrava na Biblioteca Nacional, foi entregue à Torre do Tombo, pelo 2.º conservador do Arquivo, Manuel Ribeiro.

A documentação foi sujeita a tratamento arquivístico, no final da década de 1990, empreendido por técnicos da Torre do Tombo e por investigadores externos. Foi abandonada a arrumação geográfica por nome das localidades onde se situavam os conventos ou mosteiros, para adoptar a agregação dos fundos por ordens religiosas. Desta intervenção resultou o facto de cada ordem religiosa passar a ser considerada como grupo de fundos, e simultaneamente como fundo, constituído a partir da documentação proveniente da casa-mãe ou provincial, alteração esta que provocou a alteração de cotas nos fundos intervencionados.

Foram constituídas séries documentais segundo o princípio da ordem original sempre que possível (com base em índices de cartórios quando existentes), correspondendo à tipologia formal dos actos, e que, na generalidade, é documentação que se apresenta em livro. A documentação que se encontra instalada em maços foi considerada como uma colecção ao nível da série, com a designação de 'Documentos vários', não tendo sido objecto de intervenção.

Este projecto deu origem à publicação da monografia designada 'Ordens monástico-conventuais: inventário', com a coordenação de José Mattoso e Maria do Carmo Jasmins Dias Farinha.
Acquisition information
Os 46 documentos do lote 805, descrito no catálogo do leilão organizado pelo Palácio do Correio Velho, Soc. Comercial de Leilões, S.A., foram comprados pelo IAN/TT, em 30 de Março de 2006, e incorporados em 20 de Abril do mesmo ano. Constituem o actual maço 23.
Scope and content
Contém o livro da Regra de Santa Clara, registo de entradas no convento e profissões, registo de óbitos, tomadas de posse de capelas (Livro do Provedor das Capelas instituídas pela Infanta Dona Beatriz para registo das posses tomadas pelos provedores das capelas), padrões de juro, foros e rendas, receita e despesa, índices do cartório, breves, bulas, cartas régias, privilégios, escrituras de propriedade, contratos de compra e venda, sentenças, quitações, alvará, relação dos privilégios concedidos ao Convento, carta de aforamento da vila de Belas, relação dos moradores, suas dotações, bens, rendas, etc., do Convento, solicitada no âmbito da "Relação dos conventos de freiras de todas as ordens" requerida pelas Cortes Gerais Extraordinárias, em nome de D. João VI, públicas formas de inscrições de capitais, relações de padrões e provisões do Convento, cópia do instrumento de posse de dois terços do priorado da igreja do Salvador de Beja, certidões, documentos sobre as saboarias documentos relativos ao tombo dos bens do Convento (1702-1703), pública-forma de padrões de juro, entre outros.

Contém também documentos relativos a Bento Pereira Lobo, filho de Manuel Pereira de Matos, filho de D. Mariana Evangelista.

Fundos Eclesiásticos; Ordem dos Frades Menores - Província dos Algarves; Feminino
Arrangement
Organização em séries documentais correspondendo à tipologia formal dos actos.
Other finding aid
ARQUIVO NACIONAL DA TORRE DO TOMBO - [Base de dados de descrição arquivística]. [Em linha]. Lisboa: ANTT, 2000- . Disponível no Sítio Web e na Sala de Referência da Torre do Tombo. Em actualização permanente.

INSTITUTO DOS ARQUIVOS NACIONAIS/TORRE DO TOMBO - "Ordens monástico-conventuais: inventário: Ordem de São Bento, Ordem do Carmo, Ordem dos Carmelitas Descalços, Ordem dos Frades Menores, Ordem da Conceição de Maria." Coord. José Mattoso, Maria do Carmo Jasmins Dias Farinha. Lisboa: IAN/TT, 2002. XIX, 438 p. ISBN 972-8107-63-3. (L 615) p. 324-330.

Inventário dos cartórios recolhidos da Biblioteca Nacional, em 1912 (L 283) f. 26, 94.

Relação de livros e documentos pertencentes ao cartório do Convento da Conceição de Beja remetidos para o Arquivo da Torre do Tombo em virtude do ofício da Inspecção-Geral das Bibliotecas e Arquivos Públicos de 6 de Julho de 1892 (L 287) p. 1-2.
Related material
Portugal, Arquivo Distrital de Beja, Convento de Nossa Senhora da Conceição de Beja.

Portugal, Biblioteca Nacional.

Portugal, Biblioteca Pública de Évora.
Publication notes
"Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico". Dir. Bernardo de Vasconcelos e Sousa. Lisboa: Livros Horizonte, 2005. ISBN 972-24-1433-X. p. 326-327.
Creation date
4/5/2011 12:00:00 AM
Last modification
1/7/2020 9:44:21 AM