Colégio de Santo Agostinho de Lisboa

Description level
Fonds Fonds
Reference code
PT/TT/CSAGL
Title type
Atribuído
Date range
1612 Date is certain to 1829 Date is certain
Dimension and support
1 liv., 1 mç.; papel
Biography or history
O Colégio de Santo Agostinho de Lisboa era masculino, pertencia à Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, ou Agostinhos Calçados e à Província de Portugal.

O colégio era também conhecido por Colégio de Santo Antão o Velho ou Coleginho de Lisboa.

O Colégio de Santo Antão, da freguesia de São Sebastião da Mouraria e depois da freguesia de Nossa Senhora do Socorro, foi vendido pelos padres da Companhia de Jesus ao provincial da Ordem de Santo Agostinho, frei Manuel da Conceição, em 28 de Abril de 1594, pelo preço de onze mil cruzados, obrigando-se a Província de Santo Agostinho a pagar a quantia em quatro anos, entregando-a aos credores dos Jesuítas. Foi fiador e principal pagador D. João da Costa com outorga de D. Maria de Aragão, sua mulher. O contrato foi confirmado por carta patente pelo padre geral, Claudio Aquaviva, datada de 5 de Julho de 1594.

A Província tomou posse da igreja, das Casas dos Estudos Públicos e dos aposentos que pertenciam aos padres da Companhia de Jesus, no dia seguinte. O Colégio confrontava a Sul com a rua da Costa do Castelo, a Norte com rua pública, a Poente com o muro da cidade e com o Colégio dos Meninos Órfãos, e a Nascente com quintais de várias casas da Calçada de Santo André.

O Colégio de Santo Antão, o Velho, manteve o nome quando o edifício foi comprado pelos Eremitas de Santo Agostinho. Foi também designado por Coleginho.

Em reconhecimento da contribuição prestada por D. João da Costa e por D. Maria de Aragão, o padre provincial, frei Guilherme de Santa Maria e seu definitório, doaram-lhes por escritura lavrada a 19 de Setembro daquele ano, a capela-mor para seu jazigo e de seus descendentes. Ao mesmo tempo os primeiros comprometiam-se a fazer à sua custa as instalações necessárias para acolher os religiosos do Colégio. Este seria semelhante ao Colégio da Ordem existente em Coimbra.

Os padroeiros instituíram um morgado com a sua terça. Sucedeu-lhes no morgado D. Gil Eanes da Costa. Os sucessores do morgado foram designados por padroeiros.

Em 1755, a capela-mor ficou arruinada, devido ao terramoto. A Igreja foi então reconstruída à custa da Irmandade de Nossa Senhora da Conceição, embora a capela-mor ficasse por fazer por falta de colaboração do então padroeiro.

O Colégio tinha como principal renda os capitais dados para as seguintes capelas: de Sebastião Pais de Gavi, de Diogo Lopes, de D. Antónia Coutinho, de D. frei Aleixo de Meneses, de Gregório Antunes, de Diogo de Gouveia Aiala, de António Galvão, de Vasco da Fonseca Coutinho, de Manuel Manhôs, de Gaspar da Silveira, de D. Mariana Rangel, de Andreza Rodrigues, de D. frei Pedro de Fóios, de Isabel de Andrade, de D. Mariana de Almeida, de Miguel da Silva e de Manuel Gonçalves. Este capital foi empregue na compra de padrões de juros reais, na Marinha, na Alfândega de Lisboa, no Almoxarifado de Leiria, no Almoxarifado na Casa das Carnes, no Almoxarifado de Tomar, no Almoxarifado de Torres Vedras e Alenquer, em casas, em pagamento de dívidas, entre outros.

O Colégio tinha duas abadias no Arcebispado de Braga: Santa Ana de Vimieiro e Santo Estêvão de Bastuço, antigos mosteiros da Ordem de São Bento, extintos pelo cardeal rei D. Henrique, e dados ao Colégio da Companhia de Jesus de Braga. Foram trocadas pela abadia de São Tomé de Negrelos. Por renúncia de D. frei António Botado, bispo de Hipona, as igrejas foram unidas ao Colégio por Bula de 31 de Agosto de 1708. O provimento destas vigairarias pertencia "in solidum" ao reitor do Colégio.

Em 1834, no âmbito da "Reforma geral eclesiástica" empreendida pelo Ministro e Secretário de Estado, Joaquim António de Aguiar, executada pela Comissão da Reforma Geral do Clero (1833-1837), pelo Decreto de 30 de Maio, foram extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e casas de religiosos de todas as ordens religiosas, ficando as de religiosas, sujeitas aos respectivos bispos, até à morte da última freira, data do encerramento definitivo.

Os bens foram incorporados nos Próprios da Fazenda Nacional.
Custodial history
Em 1894, no dia 14 de Maio, foram incorporados os documentos vindos da Direcção-Geral dos Próprios Nacionais.

Os documentos provêm do maço 79, n.º 1, 2, 4, 5, 6, 7, 8, 11, 12.

No final da década de 1990, foi abandonada a arrumação geográfica por nome das localidades onde se situavam os conventos ou mosteiros, para adoptar a agregação dos fundos por ordens religiosas.
Scope and content
Contém traslado da escritura de compra do Colégio, certidão dos autos da execução de arrematação, publicação das bulas apostólicas da união das igrejas a favor do Colégio, cartas de doação, de aforamento, de emprazamento, registo de foros, de reconhecimento e obrigação de foreira (3.ª vida).

A documentação menciona bens situados no termo de Vila Franca de Xira, termo de Mafra, termo da Lourinhã, termo de Santarém, em Lisboa: na freguesia do Socorro, na rua da Oliveira, na portaria do Carro, no beco do Jasmim, na Carreirinha ao pé do Caracol da Graça, na póvoa de D. Martinho, no termo de Oeiras e no termo da Aldeia Galega.

A documentação refere a Misericórdia de Lisboa.

Fundos Eclesiásticos; Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho; Masculino
Arrangement
Ordenação numérica específica para cada tipo de unidade de instalação (livros e maços).
Other finding aid
ARQUIVO NACIONAL DA TORRE DO TOMBO - [Base de dados de descrição arquivística]. [Em linha]. Lisboa: ANTT, 2000- . Disponível no Sítio Web e na Sala de Referência da Torre do Tombo. Em actualização permanente.

Relação de documentos vindos da Direcção-Geral dos Próprios Nacionais, em 14 de Maio de 1894 (letra L) (C279) f. 68-69
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Portugal, Torre do Tombo, Ministério das Finanças, cx. 2228 , inv. n.º 214.

Portugal, Torre do Tombo, Convento de Nossa Senhora da Graça de Lisboa
Creation date
4/4/2011 12:00:00 AM
Last modification
1/7/2020 9:44:28 AM