Hospício de Nossa Senhora do Vale da Misericórdia de Laveiras

Description level
Fonds Fonds
Reference code
PT/TT/HLV
Title type
Atribuído
Date range
1546 Date is certain to 1833 Date is certain
Dimension and support
14 cx. (liv. e mç.); perg., papel
Biography or history
O Hospício de Nossa Senhora do Vale da Misericórdia de Laveiras pertencia à Ordem da Cartuxa.

A Ordem da Cartuxa da Torre ou Ordem dos Cartusianos foi fundada por São Bruno e era uma das ordens religiosas mais humildes e austeras.

O Hospício de Nossa Senhora do Vale da Misericórdia teve origem, em 1594, no legado de D. Simoa Godinho à Misericórdia de Lisboa, de uma quinta em Laveiras, destinada a um convento de freiras ou frades pobres.

Em 1598, D. Filipe II obteve do Papa Clemente VII a bula 'Circa Curam' com a licença para atribuí-la aos frades cartuxos, vindos da actual Travessa dos Brunos, na Pampulha, Lisboa onde estavam instalados provisoriamente.

O facto de a Cartuxa ter sido construída para os frades de São Bruno, no vale da Ribeira de Barcarena, e da doadora ter fundado uma capela na igreja da Conceição Velha (na qual repousam os seus restos mortais), em Lisboa, sob a invocação de Nossa Senhora da Misericórdia, justifica que ao mosteiro fosse dada a designação de 'Valles Misericordiae', e que a igreja tenha sido dedicada a Nossa Senhora da Conceição e a São Bruno.

Entre 1613 e 1621 o ermitério foi ampliado num local ligeiramente a Oeste do existente, decorrendo a sua construção até 1736.

Em 1652, o bispo inquisidor geral do reino D. Francisco de Castro estabeleceu um legado de 20.000 réis à cartuxa de Laveiras no seu testamento.

Em 1712, o padre António Carvalho da Costa descrevia Laveiras, onde referia a existência de uma ermida de Santo António, por onde passava um rio pelo meio, cuja ponte tinha um só arco, onde se situava o Forte de São Bruno, e da parte do Nascente ficava o Convento dos Cartuxos.

Em 1755, o terramoto danifica a igreja, cuja reconstrução decorreu segundo um projecto de Carlos Mardel.

Em 1758, o padre-cura Francisco dos Santos Pereira, ao aludir a Laveiras, entre outras localidades da região, logo após o terramoto, referia a ermida de Nossa Senhora de Porto Seguro, que pertencia aos Monges de São Bruno, lugar de romagens, que no dia da Natividade da Senhora recebia romeiros de Lisboa.

Em 1823, pela Lei de 24 de Outubro a Ordem da Cartuxa foi reduzida a uma casa (permanecendo a de Évora), tendo sido feito o inventário de bens móveis e imóveis do mosteiro entre os quais dos da botica, do cartório, da livraria, e das terras de que a ordem dispunha em Povos, Laveiras, Caxias, Loures, Frielas, Apelação, Colares e Sintra, e ainda das propriedades em Lisboa, nomeadamente o hospício na Rua Direita do Salitre. No entanto, a supressão não chega a concretizar-se.

Os religiosos permaneceram no hospício até 24 de Junho de 1833, data em que fogem após a entrada dos liberais em Lisboa, aí permanecendo apenas Frei José Felix e outro converso. Por Portaria de 7 de Agosto de 1833 da Secretaria de Estado dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça, foi mandado que o juiz de Fora de Oeira fizesse conduzir os dois conversos ao Mosteiro de São Vicente de Fora de Lisboa, e tomasse conta por inventário toada a mobília, preciosidades, utensílios e propriedades.

Em 1834, a 12 de Março a sentença da Junta do Exame do Estado Actual e Melhoramento Temporal das Ordens Religiosas suprimiu, extinguiu e profanou o Hospício de Nossa Senhora do Vale da Misericórdia de Laveiras. Pela mesma portaria foi proposto que o Frei José Felix fosse integrado na comunidade do Mosteiro de Mafra dos Cónegos Regulares de Santo Agostinho.

Os bens foram incorporados nos Próprios Nacionais.
Custodial history
Em 1866, a 26 de Março, em virtude das Portarias de 26 de Novembro de 1863 e de 24 de Agosto de 1864, foram transferidos do cartório da Direcção Geral dos Próprios Nacionais para a Torre do Tombo, os documentos pertencentes ao extinto Convento de Santa Maria do Vale da Misericórdia de Laveiras, da Ordem de São Bruno, descritos na relação assinada por António Manuel Garcia, segundo oficial arquivista, e por Roberto Augusto da Costa Campos, inspector dos arquivos públicos.

Em 1894, a 14 de Maio, foram enviados da Direcção-Geral dos Próprios Nacionais, à Torre do Tombo os documentos descritos na relação assinada por A. J. Campos de Magalhães e por Roberto Augusto da Costa Campos, inspector dos arquivos públicos.
Scope and content
Contém registos de diplomas régios de 1793 e 1817, legalizando a posse do convento sobre os bens adquiridos, notícia destes bens em 1816; notícia dos bens do convento no século XVII datada de 1675; registo de títulos de aquisição de bens, privilégios; contas correntes de diversos rendimentos (1797-1832); receita e despesa das propriedades de Caxias (1802-1833); certidões de missas da capela do padre Manuel da Glória (1758-1832); certidões de missas da capela de Bernardo Machado, desde a instituição até 1832.

A documentação refere bens situados em Barcarena, Cascais, Caxias, Colares, Sintra, Fanares, Frielas e imediações, Laveiras (anteriores a 1700, e posteriores a 1699), em Loires, Oeiras, Pampulha e Povos, na Rua de São Bento, no Salitre, na Terrugem, Torres Vedras e Valejas; testamentos, entre outros.

Entre a documentação em maços podem encontrar-se documentos de venda de propriedades em Laveiras (1546), aforamento de bens em Pampulha (1566), Bula "Circa Curam" de Clemente VIII, a ordenar que pertence à Ordem da Cartuxa o mosteiro de religiosos pobres e que D. Simoa Godinho determinou a fundação no seu testamento (1597); breve de Paulo V sobre os mosteiros de São Cláudio, Santa Maria de Miranda e São João de Cabanas, e das suas pensões (1609); bula de Paulo V passada a favor da Cartuxa de Laveiras, a confirmar o contrato feito pelo mosteiro e pelos testamenteiros de D. Isabel de Lima para ficar a capela mor para sepultura da mesma e de seu marido (1609); bula acerca das relíquias do Santuário da Cartuxa de Laveiras (1612); confirmação de D. Filipe III de um alvará de concessão de atum ao Mosteiro da Cartuxa de Laveiras (1638), de cera (1639); carta de frei António, prior mor da Cartuxa a D. António de Castro Alvelos, cónego da Sé oriental de Lisboa, a conceder-lhe bens espirituais da dita Ordem (1721); alvará a conceder a esmola de várias especiarias ao Mosteiro da Cartuxa de Laveiras (1790); a cópia do discurso crítico apologético sobre as doutrinas do livro intitulado "Tentativa Teológica", do padre António Pereira de Figueiredo, composto pelo padre frei Nicolau da Assunção Becquer; 'Idea o vero cronologia del' Historia Cartusiana'; 'Essai sur les differentes questions qui peuvent avoir plus ou moins de raport avec della de la rentrée du clergé en France, solicitée avec tant d'empressement depuis 1796 par les amis de la soumission'; documentos sobre vidas de religiosos (alguns documentos estão impressos), e o voto acerca da guerra de Espanha com Portugal dado pelo Doutor Salazar, a pedido de Filipe IV, entre outros.

Guia de Fundos Eclesiásticos; Ordem da Cartuxa
Arrangement
Ordenação numérica específica para cada tipo de unidade de instalação (livros e maços).
Other finding aid
ARQUIVO NACIONAL DA TORRE DO TOMBO - [Base de dados de descrição arquivística]. [Em linha]. Lisboa: ANTT, 2000- . Disponível no Sítio Web e na Sala de Referência da Torre do Tombo. Em actualização permanente.

Relação de documentos vindos da Direcção-Geral dos Próprios Nacionais, em 14 de Maio de 1894 (A-L) (C 278) f. 127-142. Organização topográfica.

Relação dos documentos vindos do cartório da Direcção Geral dos Próprios Nacionais para a Torre do Tombo, em 26 de Março de 1866 (C 324).
Related material
Portugal, Torre do Tombo, Ministério das Finanças, cx. 2222, inv. n.º 196.

Portugal, Torre do Tombo, Manuscritos da Livraria, n.º 787 - Livro dos defuntos que se enterram na Cartuxa do Vale da Misericórdia de Laveiras. 1608.
Creation date
04/04/2011 00:00:00
Last modification
05/05/2015 10:44:32