Mosteiro de São Bernardo de Portalegre

Description level
Fonds Fonds
Reference code
PT/TT/MSBP
Title type
Atribuído
Date range
1672 Date is certain to 1878 Date is certain
Dimension and support
108 liv., 1 mç.; perg., papel
Biography or history
O Mosteiro de São Bernardo de Portalegre era feminino e pertencia à Ordem de Cister.

Foi fundado sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição.

Em 1518, foi fundado por D. Jorge de Melo, bispo da Guarda (1519-1545), destituído do cargo de abade de Alcobaça por pressão do rei D. Manuel, e incumbido da direcção da diocese da Guarda. Segundo a tradição, o novo cargo desagradou a D. Jorge de Melo, que por isso não se terá fixado na sua sede episcopal, escolhendo antes como morada a cidade de Portalegre, extremo sul do bispado. Aí fundou um mosteiro destinado a religiosas sem dote, que entregou à responsabilidade da irmã, D. Branca de Vasconcelos e Melo, primeira abadessa perpétua da instituição. Em 1531,o bispo redigiu-lhe os estatutos e, a seu pedido o Mosteiro veio a ser filiado directamente à abadia de Claraval.

Muito favorecido pelo fundador, o Mosteiro teve as suas obras de construção concluídas cerca de 1538. Inicialmente pensado para quarenta religiosas, por breves apostólicos foi autorizado a receber setenta.

Em 1587, entrou para a Congregação de Alcobaça e, desde então, passou a ser governado por abadessas trienais.

Em 1834, no âmbito da "Reforma geral eclesiástica" empreendida pelo Ministro e Secretário de Estado, Joaquim António de Aguiar, executada pela Comissão da Reforma Geral do Clero (1833-1837), pelo Decreto de 30 de Maio, foram extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e casas de religiosos de todas as ordens religiosas, ficando as de religiosas, sujeitas aos respectivos bispos, até à morte da última freira, data do encerramento definitivo.

Os bens foram incorporados nos Próprios da Fazenda Nacional.

O Mosteiro foi extinto em 1878 por morte da última religiosa.
Custodial history
Em consequência da extinção das Ordens Militares e Religiosas, grande parte da documentação foi entregue à Direcção Geral dos Próprios Nacionais.

Em 1857, a 10 de Setembro, por portaria da Secretaria de Estado da Fazenda foi remetida a cópia da portaria expedida ao delegado do Tesouro nos distritos do Porto, Viana do Castelo e Guarda, para que enviassem para a Torre do Tombo todos os documentos significativos que existissem nos arquivos das repartições.

Em 1863, a 26 de Novembro, por Portaria do Ministério da Fazenda, mandaram-se devolver à Torre do Tombo, os livros e papéis das comendas e casas religiosas extintas, requisitados pelo Tesouro, em 1839 e 1850, bem como todos os outros papéis e livros que a Direcção Geral dos Próprios Nacionais possuísse. Era pedida a documentação pertencente às Casas do Infantado e das Rainhas, Mesa da Consciência e Ordens, Conselho da Fazenda e extintos conventos, para completarem as "colecções" existentes na Torre do Tombo. Contudo os livros e papéis, ainda necessários para o cadastro nacional, seriam transferidos para a Torre do Tombo quando o referido cadastro estivesse concluído.

Em 1912, os 108 livros deste fundo, que se encontravam na Biblioteca Nacional, foram enviados para a Torre do Tombo, pela Inspecção das Bibliotecas e Arquivos.

No final da década de 1990, foi abandonada a arrumação geográfica por nome das localidades onde se situavam os conventos ou mosteiros, para adoptar a agregação dos fundos por ordens religiosas.
Scope and content
Contém livros de actas decretais das visitas, dos assentos do recebimento e gastos de azeite, das propriedades e rendimentos do Mosteiro, os Capítulos Gerais da Ordem de São Bernardo (realizado no Mosteiro de Alcobaça, com cópias das reflexões e actas remetidas a este mosteiro), registo de receita e despesa da fábrica da igreja do mosteiro, registos da bolsaria (entrada e saída do dinheiro do cofre do Mosteiro), da conta corrente (entrada e saída do cofre), da feitoria (despesa do mosteiro), da folha (receita e despesa), da tulha (cobrança dos foros e rendas com montantes das saídas e entradas no celeiro), das descargas dos foros e juros que o mosteiro recebia e das tenças que pagava, das missas (certidões do cumprimento e encargos), das obras feitas nas propriedades do Mosteiro, do recebimento das rendas e foros, do recebimento dos juros, dos serventuários do Mosteiro (pagamentos dos respectivos ordenados e salários), o Rol dos confessados, os termos das admissões de noviças e professas, das saídas de religiosas em gozo de licença, e dos questionários (antes das profissões das noviças). Contém, ainda, breves, privilégios apostólicos concedidos ao Mosteiro e outra documentação pontifícia, cartas régias, confirmação de igrejas, sentenças, cartas de compra, entre outros.

Guia de Fundos Eclesiásticos; Ordem de Cister; Feminino

Arrangement
Ordenação numérica específica para cada tipo de unidade de instalação (livros e maços).
Language of the material
Latim e português.
Other finding aid
ARQUIVO NACIONAL DA TORRE DO TOMBO - [Base de dados de descrição arquivística]. [Em linha]. Lisboa: ANTT, 2000- . Disponível no Sítio Web e na Sala de Referência da Torre do Tombo. Em actualização permanente.

Inventário dos cartórios recolhidos da Biblioteca Nacional, em 1912 (L 283) f. 114 a 118.
Related material
Portugal, Arquivo Distrital de Braga.

Portugal, Arquivo Distrital de Portalegre, Convento de São Bernardo de Portalegre,

Portugal, Torre do Tombo, Ministério das Finanças, cx. 2013
Publication notes
"Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico". Dir. Bernardo de Vasconcelos e Sousa. Lisboa: Livros Horizonte, 2005. ISBN 972-24-1433-X. p. 126-127
Creation date
04/04/2011 00:00:00
Last modification
02/02/2017 09:14:10