Mosteiro de Santa Maria de Landim

Description level
Fonds Fonds
Reference code
PT/TT/MSMLD
Title type
Atribuído
Date range
0991 Date is uncertain to 1765 Date is uncertain
Dimension and support
1 mç.; perg., papel
Biography or history
O Mosteiro de Santa Maria de Landim era masculino, pertenceu primeiro ao termo de Barcelos e depois ao concelho de Vila Nova de Famalicão, era de Cónegos Regulares de Santo Agostinho, esteve sujeito ao arcebispo de Braga até 1565-1566, quando passou para a posse da Congregação de Santa Cruz de Coimbra.

O Mosteiro não vem referido na freguesia de Riba de Pel, pelo Censual do século XI.

A referência documental mais antiga e mais segura que se conhece data de 1096, sendo mencionado com a invocação de Santa Maria dos Anjos, no tempo do prior D. Pedro Rodrigues.

A invocação do Mosteiro de Nossa Senhora de Landim (invocação moderna) provém da veneração da população a uma imagem de uma antiga ermida dedicada a Nossa Senhora da Basta, que existiu junto ao Mosteiro.

Teve dois coutos: o de Landim e o de Palmeira.

Em 1127, recebeu carta de couto de Palmeira (?) de D. Teresa. Nas actas das inquirições de Afonso III de 1258, 5ª alçada, os juízes inquiridores declararam ter visto a carta de couto.

Em 1140, passou para os Cónegos Regulares de Santo Agostinho.

Em 1142, recebeu carta de couto de D. Afonso Henriques.

O couto de Landim foi doado por D. Gonçalo Rodrigues, de acordo com a confirmação da doação feita pelos filhos em 1177. Em 1225, na igreja de São Miguel de Guimarães, Pedro Rodrigues, Pedro Mendes e M. (?) Gonçalves fizeram carta de doação e liberdade ao Mosteiro de Landim, de bens situados dentro e fora do couto, na presença do arcebispo de Braga, D. Estêvão. Em ambos exercia jurisdição cível, levando voz e coima, salvo, nas honras que estavam dentro do couto de Landim. Em Landim tinha mordomo, em Palmeira tinha chegador. Esta jurisdição foi-lhe confirmada em 1306.

Em 1168, D. João Peculiar sagrou a nova igreja do Mosteiro.

Em 1220, nas Inquirições de D. Afonso II, foram identificadas as propriedades do Mosteiro.

No Catálogo das igrejas, comendas e mosteiros de 1320, foi taxado em 1435 libras, valor elevado e muito superior ao dos restantes mosteiros e igrejas da região.

Em 1385, o rei D. João I outorgou-lhe e confirmou-lhe todos os foros, privilégios e liberdades, dados anteriormente.

O padroado do Mosteiro era formado por sete igrejas e uma capela anexa: Santo André do Sobrado, São Martinho de Sequeirô (metade da apresentação), São Miguel de Seide, Santo Estêvão de São Fins, Santa Maria de Guardizela, São Miguel da Lama, Santa Marinha de Seide, Santa Eulália de Palmeira.

Em 1450, em Évora, a 20 de Março, D. Afonso V deu-lhe confirmação geral das graças, privilégios e liberdades.

Os prazos feitos pelos priores do Mosteiro foram confirmados pelos provisores e vigários gerais dos arcebispos de Braga, D. Jorge da Costa, D. Diogo de Sousa, e pelo Senhor D. Duarte, comendatário perpétuo do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra.

Foram seus administradores e do Mosteiro de Santo Tirso de Riba de Ave, da Ordem de São Bento e bispado do Porto, o bispo de Viseu e escrivão da puridade, D. Miguel da Silva (1520, 1529, 1536) o cardeal Alexandre Farnese (1552, 1556) e D. António da Silva, comendatário e administrador dos Mosteiros de Santo Tirso e de Landim (1559).

Em 1565, por alvará de 13 de Novembro, na sequência da concessão do papa Pio IV ao rei de Portugal, do padroado dos mosteiros do reino, por alvará do Cardeal Infante foi autorizada a reforma e redução à ordem e regra dos Cónegos reformados do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra e união e incorporação perpétua do Mosteiro de Santa Maria de Landim.

Em 1566, pela bula "In eminenti sedis", de Pio V, de 29 de Abril, foram unidos à Congregação de Santa Cruz de Coimbra, os Mosteiros do Salvador de Moreira, do bispado do Porto, de Santa Maria de Landim e de Santa Maria de Refóios do Lima, do arcebispado de Braga, foram reformados na ordem dos crúzios, sendo-lhes confirmados todos os privilégios apostólicos, jurisdições eclesiástica e secular e as doações régias.

Seguiu-se um pleito com o arcebispo de Braga, por causa da isenção da visita que passava a abrangê-lo, decorrente da união à Congregação. Esta questão terminou com uma concórdia e amigável composição feita em 1568, entre a Mitra de Braga, sendo arcebispo D. Fr. Bartolomeu dos Mártires, e o prior D. Jerónimo de Landim, na qual foi reconhecida a isenção ao prior, religiosos e familiares do Mosteiro, ficando os fregueses sujeitos à visita e correição do arcebispo, desde que as missas a que assistissem não fossem celebradas na igreja do Mosteiro.

Em 1612, o Capítulo Geral de 17 de Maio, uniu o Mosteiro de São Miguel de Vilarinho ao de Santa Maria de Landim, por 9 anos, no âmbito da faculdade dada pela bula "Quaecumque ad Religiosorum commodum" de Clemente VIII, dada em Roma a 16 de Junho de 1601. A união incluía o benefício dos rendimentos e a apresentação dos curas e vigários perpétuos dos mosteiros anexados.

Em 1694, D. Luís de Nazareth era prior dos Mosteiros de Landim e de Vilarinho.

Em 1702, D. Henrique da Assunção era prior dos citados Mosteiros.

Em 1794, a administração perpétua dos bens e rendimentos do extinto mosteiro de Santa Maria de Landim, foi cometida aos priores do Mosteiro de São Vicente de Fora.
Custodial history
Alguns documentos foram enviados para o cartório de Santa Cruz de Coimbra e integrados no Armário 60 dos mosteiros da Congregação (actual maço 36 de Santa Cruz de Coimbra).

No séc. XIX, os documentos do extinto mosteiro, depositados em no Mosteiro de São Vicente de Fora, receberam um número de ordem, escrito a tinta carmesim, assinados na sua maioria por Carvalho. Este era o sexto cartório na ordem de arrumação.

Em 1836, foi incorporado no Arquivo da Torre do Tombo, junto com os documentos do Mosteiro de São Vicente de Fora.

Na Torre do Tombo, os documentos mais antigos foram deslocados para a Colecção Especial e mais tarde, precedendo a publicação dos "Documentos Medievais Portugueses", foram restituídos ao fundo de Santa Maria de Landim e não aos maços de São Vicente de Fora, onde permaneceram os demais documentos deste Mosteiro.

No final da década de 1990, foi abandonada a arrumação geográfica por nome das localidades onde se situavam os conventos ou mosteiros, para adoptar a agregação dos fundos por ordens religiosas.
Scope and content
Contém doações e públicas formas de doações relativas ao couto, e de verbas das inquirições mandadas fazer por D. Afonso III nos julgados da Maia, de Refóios, de Aguiar de Sousa e de Vermoim, bem como da jurisdição nos coutos de Landim e da Palmeira, requeridas, respectivamente, pelo prior do Mosteiro de Landim e pelo bispo de Viseu, à Torre do Tombo. Contém a nomeação do reitor da igreja de Santa Maria de Ribeiros, prazos, instrumentos de posse, sentença dada contra o Mosteiro de Santo Tirso sobre a jurisdição cível de Ervosa e da ermida de São Bartolomeu, terceiro traslado da declaração de Frei Basílio da Ascensão, abade do Mosteiro de Santo Tirso, favorável ao concerto celebrado com o prior e convento do Mosteiro de Landim, relativo às várzeas, dízimos e primícias, aos caneiros do açude da azenha da Palmeira, e à cura dos fregueses da igreja de São Bartolomeu, um precatório de 1620.

A documentação diz respeito à constituição e administração do património do Mosteiro, situado predominantemente no actual concelho de Vila Nova de Famalicão.

Informa acerca da autoridade do arcebispo de Braga sobre o Mosteiro de Landim e dos seus comendatários. Contém documentos resultantes da resolução de questões de património e jurisdição havidas com o Mosteiro de Santo Tirso.

Inclui os documentos produzidos pelo prior de Santa Maria de Landim como administrador dos bens do Mosteiro de São Miguel de Vilarinho (1609 - 1765): tombos de demarcação (Mosteiro de São Miguel de Vilarinho, liv. 8, 10, 11), vedorias e apegações (Mosteiro de São Miguel de Vilarinho, liv. 7) prazos (Mosteiro de São Miguel de Vilarinho, liv. 1 a 6), cópias de documentos do Mosteiro de São Miguel de Vilarinho lidas e mandadas trasladar por D. Francisco da Anunciada, em Landim, sentença relativa aos casais situados em Vila Boa, freguesia do Mosteiro de Vilarinho, apegação e alvará para título de prazo.

Os documentos produzidos pelo prior de Santa Maria de Landim como administrador dos bens do Mosteiro de São Miguel de Vilarinho encontram-se no fundo deste Mosteiro.

Contém um selo do arcebispado de Braga, em cocho de cera, quase intacto.

Os pergaminhos apresentam, na sua maioria, vestígios de selos pendentes de cera escura, em cochos de madeira.

Fundos Eclesiásticos; Cónegos Regulares de Santo Agostinho; Masculino
Arrangement
Ordenação numérica específica para cada tipo de unidade de instalação (maço).
Language of the material
Latim e português. Letra visigótica cursiva.
Other finding aid
ARQUIVO NACIONAL DA TORRE DO TOMBO - [Base de dados de descrição arquivística]. [Em linha]. Lisboa: ANTT, 2000- . Disponível no Sítio Web e na Sala de Referência da Torre do Tombo. Em actualização permanente.

Catálogo dos documentos das cx. 25 e 26 do Mosteiro de São Vicente de Fora, 2.ª incorporação (C 385).

Catálogo dos documentos das cx. 27, 28 e 29 do Mosteiro de São Vicente de Fora, 2.ª incorporação (C 386).

Catálogo dos documentos da cx. 30 do Mosteiro de São Vicente de Fora, e descrição sumária de 80 votos de profissão de frades do mosteiro da cx. 31, 2.ª incorporação (C 387).

Índice (inventário) dos livros de diversos conventos, ordens militares e outras corporações religiosas guardadas no Arquivo da Torre do Tombo, conventos diversos, caderneta 5 (Trindade de Lisboa a Xabregas) (C 272) f. 178.

Inventário das Corporações Religiosas, desintegrado da antiga Colecção Especial (inclui a tabela de equivalência e a "Nota explicativa" da restituição dos documentos aos cartórios de origem, feita pela conservadora Maria Teresa Geraldes Barbosa Acabado), em 24 de Julho de 1978 (L 208), f. 3v. e tabela.

Relação dos livros e documentos vindos da Repartição de Fazenda de Viana do Castelo, de 20 de Dezembro de 1889, recebidos na Torre do Tombo, em 5 de Maio de 1890 (L 282) f. 2 v.º, 7, 16 v.º, 33v.º . Descreve os doc. dos mç. 450 e 451 dos Conventos de Viana.

Suplemento da Colecção Especial: relações sumárias das bulas, cx. 1-15, breves, cx.16-22, de sentenças apostólicas, cx. 23-24, sentenças executoriais, cx. 25-26, "Miscelânea eclesiástica", cx. 27, diplomas emanados do poder real, cx. 28-72, de príncipes, infantes, duques de Bragança, rainhas, cardeais, arcebispos, bispos, de patriarcas (...), e relações de unidades de instalação respeitantes a instituições eclesiásticas regulares e seculares (L 207), f. 14 v.

Índice (inventário) dos livros de diversos conventos, ordens militares e outras corporações religiosas guardados no Arquivo da Torre do Tombo, conventos diversos, caderneta 3 (Santo Elói a Teatinos) (C 270), f. 60. Corresponde a um verbete remissivo para São Miguel de Vilarinho.
Related material
Portugal, Arquivo Distrital de Braga.

Portugal, Arquivo Distrital do Porto, Convento de Santa Maria de Landim - Vila Nova de Famalicão.

Portugal, Torre do Tombo, Arquivo da Casa da Coroa (GF), Padroado Real (SR), "Livro das igrejas e mosteiros que a coroa destes reinos tem de seu real padroado no arcebispado de Braga...", Núcleo Antigo 121.

Portugal, Torre do Tombo, Cónegos Regulares de Santo Agostinho, Mosteiro de São Vicente de Fora, liv. 126, 127, cx. 26 a 30. As demandas havidas entre o Mosteiro de Santo Tirso e o Mosteiro de Landim, vêm referidas no Capítulo Geral de 30 de Janeiro de 1709, celebrado no Mosteiro de São Vicente de Fora, 28.ª definição ordinária, traslado feito em 4 de Agosto do mesmo ano (liv. 126). O inventário n.º 195 refere o hospício de Santa Maria de Landim.

Portugal, Torre do Tombo, Ministério das Finanças, cx. 2222, inv. n.º 195.
Publication notes
ACADEMIA PORTUGUESA DE HISTÓRIA -" Documentos Medievais Portugueses". Lisboa: A.H.P., 1945-1962. 2 vol.; 38 cm
V.1, t. 2: Documentos régios: Documentos dos condes Portugalenses e de D. Afonso Henriques A.D. 1095-1185. 1962. p. 519, n.º 16.
MARTINS, António; NÓVOA, Emília Sampaio - Mosteiro de Santa Maria de Landim: raízes e memória. Landim: António Martins, 2002. 227 p. ISBN 972-95800-5-7
CASTRO, Maria de Fátima - "O mosteiro de Landim: contributos para o estudo da propriedade eclesiástica". [S.l]: M.F.C., D.L. 1995. 113, [1] p..
MARQUES, José - "A Arquidiocese de Braga no séc. XV". [Lisboa], Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1988. p. 719, 738-740, 808, 922 (nota 382) a 757. Contém o estudo do Mosteiro de Santa Maria de Landim (priores, padroados, igrejas e capelas anexas, património e sua cartografia) a partir de fontes do Arquivo Distrital de Braga e da Torre do Tombo.
"Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico". Dir. Bernardo de Vasconcelos e Sousa. Lisboa: Livros Horizonte, 2005. ISBN 972-24-1433-X. p. 196-197.
"Portugaliae Monumenta Historica: a saecvlo octavo post Christvm vsque ad quintvmdecimum..." ivssv Academiae Scientiarvm Olisiponensis edita. Olisipone: Typis Academicis, 1856-1961 V.1: Inquisitiones.
SANTOS, Maria José de Azevedo - "Da Visigótica à Carolina: a escrita em Portugal de 882 a 1172: aspectos técnicos e culturais".Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian: Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica, 1994. p. 83. ISBN 972-31-0633-7.
Creation date
2/21/2011 12:00:00 AM
Last modification
1/7/2020 9:45:15 AM