Mosteiro de Santa Maria de Cós

Description level
Fonds Fonds
Reference code
PT/TT/MSMCS
Title type
Atribuído
Date range
1275 Date is certain to 1842 Date is certain
Dimension and support
38 liv., 1 mç.; perg., papel
Biography or history
O Mosteiro de Santa Maria de Cós era feminino e pertencia à Ordem de Cister.

Situado a cerca de 14 km de Alcobaça, o Mosteiro de Cós terá tido origem num recolhimento de viúvas e merceeiras vivendo na dependência das mercês do abade de do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça. Ao recolhimento inicial, marcado por uma vivência mais secular do que regular, veio a suceder a organização de um mosteiro de monjas, já existente em 1241, data da primeira referência documental às sorores de Cós. De acordo com documentos de 1307, 1337 e 1393, a comunidade de Cós possuía então uma organização institucional autónoma, conforme a observância cisterciense. Não é conhecida a data precisa da sua filiação a Alcobaça. O Mosteiro dependia economicamente de Alcobaça e veio também a sofrer com a presença dos abades comendatários neste Mosteiro.

Em 1298, D. Dinis colocou-o sob a sua protecção. A protecção régia continuaria a ser confirmada e aumentada por D. Afonso IV (1325), D. Pedro I (1358) e D. Afonso V (1450).

Em 1453, foi-lhe dado o privilégio para ter um homem que andasse com as bestas, isento de todos os encargos.

Em 1496, a 21 de Junho, D. Manuel I, confirmou ao Mosteiro de Cós, abadessa, donas e convento, em serviço a Deus e por esmola, todas as honras, privilégios, liberdades e graças já outorgadas pelos seus antecessores.

Em 1521, por mandado de 12 de Fevereiro, dirigido a João Lopes, almoxarife do Mosteiro de Alcobaça, foram pagos 1.254 réis a Francisco Dias e Rodrigo Dias, em que importavam 342 arráteis de vaca para as freiras do Mosteiro de Cós.

Em 1532, foi publicado o regimento que reduzia para vinte o número de freiras do Mosteiro. Apesar das múltiplas tentativas de controlo do crescimento da comunidade, realizadas pelo abade de Alcobaça e por D. João III, não se alcançaram os resultados desejados e os rendimentos económicos revelaram-se insuficientes.

Em 1536, por alvará de D. João III o Mosteiro de Cós passou a receber quatro arráteis de incenso por ano.

Em 1548, o cardeal infante D. Henrique confirmou a carta de 8 de Junho e o alvará de 1 de Julho de 1532, que determinavam o mantimento e vestuário do Mosteiro pagos por Alcobaça.

Em Maio de 1560, o número de professas de clausura de Cós era superior a quarenta.

Em 1564, o Mosteiro de Alcobaça doou ao de Cós um moio de sal aplicado no rendimento da vila de Alfeizerão.

Em 1579, a 17 de Outubro, pela bula " Exponit debitum" Gregório XIII determinou que se desse ao Mosteiro de Cós 6 moios de trigo, tirados dos frutos e rendimentos da Mesa Abacial de Alcobaça.

Em 1596, D. Filipe I confirmou os privilégios do Mosteiro.

Em 1695, por breve "In articulo mortis" o papa Inocêncio XII concedeu indulgência à abadessa e freiras do Convento, tal como tinham feito os papas Inocêncio XII e Urbano VIII.

Em 1760,o Mosteiro recebeu provisão para a elaboração do tombo dos bens.

Em 1834, no âmbito da "Reforma geral eclesiástica" empreendida pelo Ministro e Secretário de Estado, Joaquim António de Aguiar, executada pela Comissão da Reforma Geral do Clero (1833-1837), pelo Decreto de 30 de Maio, foram extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e casas de religiosos de todas as ordens religiosas, ficando as de religiosas, sujeitas aos respectivos bispos, até à morte da última freira, data do encerramento definitivo.

Os bens foram incorporados nos Próprios da Fazenda Nacional.

Localização / Freguesia: Cós (Alcobaça, Leiria)
Custodial history
Em 1865, a 20 de Março, por Portaria do Ministério da Fazenda mandaram-se remover para Torre do Tombo, os documentos das extintas casas religiosas e das ordens militares conservados na repartição da Fazenda de Lisboa. Este fundamento foi o mesmo utilizado nas portarias de 26 de Novembro de 1863 e 24 de Agosto de 1864, em virtude das quais foram transferidos documentos análogos existentes na Direcção Geral dos Próprios Nacionais. Para além dos documentos mencionados foi ordenado o envio dos documentos estranhos à administração dos bens nacionais e quaisquer outros anteriores a 1600, úteis para o estudo da história ou notáveis pela sua antiguidade, ficando uma cópia na dita repartição. Em 1865, a 20 de Junho, deu entrada na Torre do Tombo um conjunto de documentos pertencentes ao extinto Mosteiro de Cós, com sua relação, assinada por Augusto da Costa Campos, pela Torre do Tombo, e pela Direcção-Geral, António Manuel Garcia.

Em 1912, deram entrada na Torre do Tombo os livros deste fundo, provenientes da Biblioteca Nacional, e enviados pela Inspecção das Bibliotecas e Arquivos.

No final da década de 1990, foi abandonada a arrumação geográfica por nome das localidades onde se situavam os conventos ou mosteiros, para adoptar a agregação dos fundos por ordens religiosas.
Scope and content
Contém livros de assentos do dinheiro emprestado a juro da confraria do Santíssimo Sacramento, dos confrades de Nossa Senhora do Rosário, o livro da instituição da capela de Teodósio Agarreta (inclui certidões do cumprimento dos encargos), de registo da receita da bolsaria, de registo da despesa da feitoria, da folha (receita e despesa), dos foros, pensões, juros e outros, receita e despesa da tulha, das leis do capítulo geral da congregação, livro do alcorão (lembrança dos costumes da casa, legados e outros). Contém também alvarás, cartas de aforamento, de arrendamento, de doação, de emprazamento, de protecção régia, de vendas, de escambo, de confirmação, breves (inclui a da dispensa da reeleição da abadessa Teresa da Hideira e Brito), a bula de Gregório XII, foros, juros, licenças (inclui as de D. Luísa Salema, de Maria Pessoa de Carvalho, de Helena da Costa Carvalho, e de Catarina de Távora), mandados, monitório, pensões, privilégios, tombo dos bens em Leiria e Porto de Mós, entre outros.

A documentação menciona bens situados nos locais e termos de Alqueidão de Vestiário, Andão (Porto de Mós), Casa das Donas, Mouta Longa, Salões (Alpedriz) e na Vila de Cós.

A documentação refere o abade de Alcobaça, a abadessa de Cós Ambrosina de Meneses, e ainda a capela de Santa Maria.

Fundos Eclesiásticos; Ordem de Cister; Feminino
Arrangement
Ordenação numérica específica para cada tipo de unidade de instalação (livros e maços).
Other finding aid
ARQUIVO NACIONAL DA TORRE DO TOMBO - [Base de dados de descrição arquivística]. [Em linha]. Lisboa: ANTT, 2000- . Disponível no Sítio Web e na Sala de Referência da Torre do Tombo. Em actualização permanente.

Índice (inventário) dos livros de diversos conventos, ordens militares e outras corporações religiosas guardadas no Arquivo da Torre do Tombo, conventos diversos, caderneta 1, Ajuda a Avis (C 268). Verbete n.º 224.

Relação dos documentos pertencentes ao extinto Mosteiro de Cós que, em virtude das Portarias de 26 de Novembro de 1863 e de 24 de Agosto de 1864, foram transferidos do cartório da Direcção Geral dos Próprios Nacionais para o Arquivo da Torre do Tombo, em 20 de Junho de 1865 (C 316).

Inventário dos cartórios recolhidos da Biblioteca Nacional, em 1912 (L 283) f. 64.
Related material
Portugal, Arquivo Distrital de Leiria.

Portugal, Torre do Tombo, Ministério das Finanças, cx. 2263
Publication notes
"Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico". Dir. Bernardo de Vasconcelos e Sousa. Lisboa: Livros Horizonte, 2005. ISBN 972-24-1433-X. p. 121-122
Creation date
4/4/2011 12:00:00 AM
Last modification
1/7/2020 9:45:15 AM