Mosteiro de São Martinho de Tibães

Description level
Fonds Fonds
Reference code
PT/TT/MSMT
Title type
Atribuído
Date range
1110 Date is certain to 1740 Date is certain
Dimension and support
1 liv., 1 mç.; perg., papel
Biography or history
O Mosteiro de São Martinho de Tibães era masculino, e pertencia à Ordem e à Congregação de São Bento.

Provavelmente sucedeu ao de Padim (lugar junto a Tibães), fundado em meados do século XI por alguém de uma família condal. A primeira menção documentada data de 1071.

Pouco antes de 1077, foi transferido e restaurado em Tibães, talvez por iniciativa de Paio Guterres da Silva, seu patrono.

Embora estas datas sejam um tanto precoces, pode admitir-se que esta alteração seja contemporânea da adopção da Regra de São Bento e dos costumes de Cluny, que se registam um pouco mais tarde em mosteiros da diocese do Porto.

Em 1110, teve carta de couto concedida pelo conde D. Henrique.

O último abade perpétuo morreu em 1488, sendo então nomeado como comendatário o cardeal de Alpedrinha.

Cerca de 1540, o penúltimo comendatário, frei António de Sá, monge de Montserrat (Catalunha), que começou a governar o mosteiro em nome do infante D. Afonso e lhe veio a suceder - simultaneamente com o governo dos mosteiros de Carvoeiro e de Arnóia -, introduziu a reforma. À sua morte sucedeu-lhe frei Bernardo da Cruz.

Pio V, a instâncias do rei de Portugal, erigiu e instituiu a Congregação de todos os mosteiros da Ordem de São Bento, através das bulas 'In Eminenti' de 30 de Abril de 1566 e, 'Regimini Universalis Ecclesiae' de 13 de Agosto de 1567, que a ela foram unidos e incorporados, suprimindo as abadias perpétuas que ao vagar passaram a ser ocupadas por abades trienais.

Em 1569, frei Pedro de Chaves, reformador de Santo Tirso, tomou posse do mosteiro e foi nomeado como abade de Tibães, pelo cardeal D. Henrique, como executor das bulas de reforma, tendo-se dado a reforma da Congregação de São Bento.

Em 1570, frei Pedro de Chaves presidiu ao primeiro Capítulo Geral.

Esta assembleia decidiu fazer de Tibães a «casa-mãe» da Congregação, ficando o seu abade simultaneamente como abade geral.

Em 1718, a 20 de Março, no Mosteiro de Tibães foi decidido que, por três anos, os abades dos mosteiros deveriam enviar ao padre superior de Tibães a quantia distribuída a cada um, destinada às despesas realizadas com a esquadra portuguesa que participou na batalha do cabo de Matapão, contra os turcos, em 6 de Novembro de 1717.

Em 1834, no âmbito da "Reforma geral eclesiástica" empreendida pelo Ministro e Secretário de Estado, Joaquim António de Aguiar, executada pela Comissão da Reforma Geral do Clero (1833-1837), pelo Decreto de 30 de Maio, foram extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e casas de religiosos de todas as ordens religiosas, ficando as de religiosas, sujeitas aos respectivos bispos, até à morte da última freira, data do encerramento definitivo.

Os bens foram incorporados nos Próprios da Fazenda Nacional.
Custodial history
Em 1912, a documentação, que se encontrava na Biblioteca Nacional, foi enviada pela Inspecção das Bibliotecas e Arquivos à Torre do Tombo.

A toda a documentação dos cartórios de mosteiros ou conventos custodiados pela Repartição da Fazenda de Viana do Castelo foi atribuída uma numeração sequencial. Desta fase de custódia resultou a designação genérica de "Conventos de Viana" por que passaram a ser conhecidos.

Mais tarde, foram transferidos para a Inspecção Geral das Bibliotecas e Arquivos Públicos, em virtude do art.º 6.º do Decreto de 29 de Dezembro de 1887 e do ofício da Direcção-Geral dos Próprios Nacionais, de 31 de Outubro de 1889, sendo incorporados no Arquivo da Torre do Tombo, em 5 de Maio de 1890.

Em 1894, o livro 1 foi transferido da Direcção Geral dos Próprios Nacionais para a Torre do Tombo.

Parte da documentação esteve integrada na designada Colecção Especial. Entre os anos de 1938 e 1990, sempre que possível e considerando a sua proveniência, a documentação foi reintegrada nos fundos, numa tentativa de reconstituição dos cartórios de origem. Estes documentos foram ordenados cronologicamente, constituídos maços com cerca de 40 documentos, aos quais foi dada uma numeração sequencial.

A documentação foi sujeita a tratamento arquivístico, no final da década de 1990, empreendido por técnicos da Torre do Tombo e por investigadores externos. Foi abandonada a arrumação geográfica por nome das localidades onde se situavam os conventos ou mosteiros, para adoptar a agregação dos fundos por ordens religiosas. Desta intervenção resultou o facto de cada ordem religiosa passar a ser considerada como grupo de fundos, e simultaneamente como fundo, constituído a partir da documentação proveniente da casa-mãe ou provincial, alteração esta que provocou a alteração de cotas nos fundos intervencionados.

Foram constituídas séries documentais segundo o princípio da ordem original sempre que possível (com base em índices de cartórios quando existentes), correspondendo à tipologia formal dos actos, e que, na generalidade, é documentação que se apresenta em livro. A documentação que se encontra instalada em maços foi considerada como uma colecção ao nível da série, com a designação de 'Documentos vários', não tendo sido objecto de intervenção.

Este projecto deu origem à publicação da monografia designada 'Ordens monástico-conventuais: inventário', com a coordenação de José Mattoso e Maria do Carmo Jasmins Dias Farinha.
Scope and content
Contém tombos de demarcação do couto, um contrato entre D. Sebastião e a Congregação de São Bento, entre outros.

Fundos Eclesiásticos; Ordem de São Bento; Masculino
Arrangement
Organização em séries documentais correspondendo à tipologia formal dos actos.
Other finding aid
ARQUIVO NACIONAL DA TORRE DO TOMBO - [Base de dados de descrição arquivística]. [Em linha]. Lisboa: ANTT, 2000- . Disponível no Sítio Web e na Sala de Referência da Torre do Tombo. Em actualização permanente.

Inventário dos cartórios recolhidos da Biblioteca Nacional em 1912 (L 283) f. 170.

Inventário das Corporações Religiosas, desintegrado da antiga Colecção Especial (inclui a tabela de equivalência e a "Nota explicativa" da restituição dos documentos aos cartórios de origem, feita pela conservadora Maria Teresa Geraldes Barbosa Acabado), em 24 de Julho de 1978 (L 208).

MATTOSO, Fr. José - "Documentos beneditinos da Torre do Tombo". Lisboa: [s.n.], 1970. Sep. de "Lusitania Sacra", 8. P. 279-280. Exemplar disponível no Serviço de Referência da Torre do Tombo: (L 285 A).

Relação de documentos vindos da Direcção-Geral dos Próprios Nacionais, em 14 de Maio de 1894 (letras L-V) (C 280) f.127-128. Organização topográfica.

Relação dos livros e documentos vindos da Repartição de Fazenda de Viana do Castelo, de 20 de Dezembro de 1889, recebidos na Torre do Tombo, em 5 de Maio de 1890 (L 282).

"Tabelas de correspondência entre os números de ordem antigos referentes ao índice L 282 - "Conventos de Viana" e a nova ordem atribuída", Outubro 1990 (L 552).

INSTITUTO DOS ARQUIVOS NACIONAIS/TORRE DO TOMBO - "Ordens monástico-conventuais: inventário: Ordem de São Bento, Ordem do Carmo, Ordem dos Carmelitas Descalços, Ordem dos Frades Menores, Ordem da Conceição de Maria." Coord. José Mattoso, Maria do Carmo Jasmins Dias Farinha. Lisboa: IAN/TT, 2002. XIX, 438 p. ISBN 972-8107-63-3. (L 615) p. 19-20.
Related material
Portugal, Arquivo Distrital do Porto, Convento de São Martinho de Tibães - Braga.

Portugal, Arquivo da Câmara Municipal de Aveiro.

Portugal, Arquivo Distrital de Braga.

Portugal, Arquivo da Província Portuguesa da Ordem Beneditina.

Portugal, Biblioteca Nacional.

Portugal, Torre do Tombo, Ministério das Finanças, cx. 2256, inv. n.º 393.
Publication notes
"Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico". Dir. Bernardo de Vasconcelos e Sousa. Lisboa: Livros Horizonte, 2005. ISBN 972-24-1433-X. p. 63-64
Creation date
4/7/2011 12:00:00 AM
Last modification
1/7/2020 9:45:16 AM