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Inventário de extinção do Convento de Nossa Senhora da Conceição dos Mártires de Sacavém de Lisboa

Description level
File File
Reference code
PT/TT/MF-DGFP/E/002/00062
Title type
Atribuído
Date range
1860 Date is certain to 1877 Date is certain
Dimension and support
1 proc. (154 f.); papel
Scope and content
O Convento pertencia à Ordem dos Frades Menores (Ordem de São Francisco), estava situado na freguesia de Nossa Senhora da Purificação de Sacavém, concelho dos Olivais. Foi fundado por D. Brites da Costa, viúva de Miguel de Moura, por testamento de 15 de Novembro de 1607, deixando também bens à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Foi extinto por Decreto de 20 de Janeiro de 1877.

A única religiosa existente no Convento, soror Ana Delfina de Jesus, foi autorizada pelo mesmo diploma, a seu pedido, a mudar-se para o Convento de Santa Ana de Lisboa.

Após a saída da religiosa, a Fazenda tomou posse do edifício e anexos.

Contém inventários de bens imóveis (prédios rústicos e urbanos) e dos bens móveis, descrição e avaliação do edifício do Convento e anexos, de alfaias, objectos de culto, profanos, e preciosos, de foros, prazos, títulos de Crédito Público e empréstimos feitos com fundos do Convento.

Compreende autos de avaliação de uma propriedade urbana, minuta do inventário dos bens do Convento desde 1856 (despesa, rendimentos, dívidas activas e passivas, pessoal do Convento) feita pelo escrivão da Fazenda do concelho dos Olivais Francisco João Brady, entre outros (1860).

O cartório era constituído por livros de actas de visitas, de óbitos, de contas, tombo, róis antigos, documentos pertencentes às educandas, um saco amarelo com documentos das relíquias, cartas, entre outros (1877).

Integra um relatório (1913) sobre o destino de quatro conventos extintos, e avaliação dos bens:

- Convento da Visitação de Santa Maria (salésias): por Lei de 13 de Julho de 1889 (Diário do Governo n.º 160, de 20 de Julho), o edifício do Convento, igreja, cerca e um prédio urbano foram entregues à Associação de São Francisco de Sales, para educação de meninas pobres, sendo que alguns quadros e livros foram entregues ao Museu Nacional, e à Biblioteca, e o restante dado por depósito ao cardeal patriarca.

- Convento de Nossa Senhora da Quietação (flamengas): a última freira faleceu a 9 de Janeiro de 1887, data da inventariação de todos os bens, incluindo os livros.

Contempla documentos sobre a entrega de alguns objectos à Academia de Belas Artes, e ao cardeal patriarca.

Contém uma acção interposta por Baltasar António Sinel Cordes e sua mulher, a reclamar alguns dos referidos bens e um jazigo subterrâneo, com o fundamento de que o edifício fora mandado edificar pelo desembargador Vanverssem, e anexado ao vínculo instituído pelo seu ascendente Baltasar Teles Sinel, tendo a Fazenda Nacional ganho o litígio.

Por ocasião do casamento de D. Carlos, durante uma festa operária na Junqueira, o rei D. Luís, prometeu destinar o Convento a um instituto de beneficência, o qual estipulou por Decreto de 28 de Dezembro de 1889. Posteriormente, por Decreto de 10 de Julho, foi entregue ao Instituto Ultramarino, presidido por D. Amélia de Orleães. Foram também vendidas parcelas do terreno da cerca a António Sabbo.

- Convento de Chelas: por Decreto de 30 de Setembro de 1880, foi cedido ao Ministério da Marinha, para nele se estabelecer uma filial do Colégio de Cernache do Bom Jardim.

Em 6 de Dezembro de 1880, tomou posse do mesmo, o padre Francisco Gomes de Queirós (procurador do bispo de Bragança e Miranda, superior do Real Colégio das Missões Ultramarinas).

- Convento de Nossa Senhora da Nazaré do Mocambo: foi agregado ao de São Dionísio de Odivelas anteriormente ao ano de 1859, de acordo com informação da religiosa D. Carolina Augusta de Castro e Silva.

Dado que o Convento do Mocambo se encontrava em ruínas, as religiosas foram transferidas para o Convento das Trinas do Mocambo, e daí, a seu pedido, foram incorporadas no de Odivelas.

Quando o Convento de Odivelas foi extinto em 14 de Janeiro de 1887, a última professa, D. Carolina Augusta de Castro e Silva foi habitar numa casa no mesmo lugar, até 1909, data da sua morte.

Reúne documentos da Junta da Paróquia da freguesia de Nossa Senhora da Purificação, de Sacavém, a requerer a igreja do Convento, em virtude da sua ter sido destruída pelo terramoto de 1755. Foi deferido em 30 de Abril de 1877.

Por Decreto de 24 de Maio de 1877, o edifício do extinto Convento foi concedido ao Ministério da Guerra, para serviço dos trabalhos da fortificação de Lisboa.

Por Decreto de 25 de Abril de 1889 (Diário do Governo de 8/5/1889, n.º 103), a Igreja, imagens, paramentos entre outros, foram cedidas à Irmandade de Nossa Senhora da Quietação.
Physical location
Ministério das Finanças, Convento de Nossa Senhora da Conceição dos Mártires de Sacavém de Lisboa, cx. 1953
Original numbering
IV/I/74 (1) a IV/I/74 (7) - caixa 78
Language of the material
Português
Notes
Documento selecionado para o projeto "Lx Conventos: Da cidade sacra à cidade laica. A extinção das ordens religiosas e as dinâmicas de transformação urbana na Lisboa do século XIX.", financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (PTDC/CPC-HAT/4703/2012). Este projeto tem como Instituição Proponente o Instituto de História de Arte, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa, que decorreu entre Maio de 2013 e Abril de 2015.
Creation date
19/03/2009 00:00:00
Last modification
12/07/2016 10:19:23